segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Boletim Anarco-Sindicalista nº 29 (Dezembro 08 - Janeiro 09)

O Boletim Anarco-Sindicalista nº 29 em PDF pode ser descarregado aqui:
- versão net (A4, 3 Mb)
- versão para impressão (A3, 3,1 Mb)
Alguns artigos neste número:
- Lisboa: mais de 1000 pessoas contra onda xenófoba e Pacto Sarkozy
- Pastelaria Lua de Mel fecha e PSP agride trabalhadores
- Quanto valem 25 Euros em polémicas?
- Os Professores em Luta
- Manter a Autonomia das Lutas no Ensino!
- “Autonomia das escolas”
- Programa Simplex: Despedimento de professores por SMS???
- Economia, a impunidade na continuidade
- Fim do Socialismo capitalista. A revolução de Outubro de 2008 do capitalismo.
- Repressão Estatal na Sérvia
- Solidariedade com os trabalhadores do Ikea de Brescia (Itália)
- Repressão contra sindicalistas no Bangladesh
- Espanha: Manifestações contra o Plano Bolonha e a privatização da educação
- Itália: Contestação às reformas educativas de Berlusconi
- Sistema judicial norte-americano persiste em assassinar Mumia Abu-Jamal
- Grécia: Greve de fome juntou 10 000 pres@s
- Solidariedade com os detidos de 11 de Novembro em França
- Porto: Julgamento de quatro activistas sociais por “difamação” do SEF
- Nova Ofensiva fascista contra o preso Amadeu Casellas e seus advogados

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Dia 13 de Dezembro no Porto: Apresentação da AIT-Secção Portuguesa



Anarco-Sindicalismo Hoje
Debate sobre intervenção social e laboral libertária
Apresentação da Associação Internacional d@s Trabalhador@s - Secção Portuguesa


Dia 13 de Dezembro - Sábado - 15 horas

Terra Viva!AES - Rua dos Caldeireiros, 213 (à Cordoaria) - Porto

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

5 de Dezembro: julgamento de quatro activistas sociais no Porto

No próximo dia 5 de Dezembro (sexta-feira) quatro activistas sociais membros das associações imigrantes ESSALAM (magrebinos), AACILUS (afro-brasileiros) e duas associações portuenses que apoiam os imigrantes, a Terra Viva-Associação de Ecologia Social e a MUSAS, vão a julgamento, pelas 09.00 h., no tribunal do Bolhão, no Porto, acusadas de “difamação agravada” ao SEF –Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

O caso reporta-se a Junho de 2006, quando estas associações e outras (S.O.S.Racismo e CNLI, entre outras), fazendo eco da denúncia feita por elementos da comunidade paquistanesa do Porto, convocaram uma conferência de imprensa e uma manifestação de luto, endossando aos serviços do Porto do SEF a “responsabilidade moral” pelo suicídio do trabalhador imigrante paquistanês Ahmid Hussein, a viver havia cinco anos em Portugal, em estado de depressão depois de ver o seu pedido de renovação de autorização de residência recusado naqueles serviços por não perfazer o rendimento mínimo anual exigido (então, cerca de 5 400 euros).

No fim do ano de 2006, os elementos dos corpos directivos das associações supracitadas seriam alvo de um processo por parte do SEF - na pessoa do responsável dos serviços do Porto, entretanto demitido - acusados de “difamação agravada”, sendo responsabilizados pelo teor tanto dos comunicados anunciadores da conferência de imprensa como da manifestação de luto, decididos em reuniões assembleárias com elementos das várias associações envolvidas, imigrantes e portugueses com eles solidários.

Acreditando que este processo aos quatro activistas sociais faça parte de uma estratégia visando atemorizar os trabalhadores imigrantes em Portugal e aqueles que com eles se solidarizam na defesa dos seus direitos humanos, para que, ao contrário do que os discursos oficiais anunciam (“os imigrantes são bem vindos”, é desejável a sua “integração social crítica”, etc...), esses direitos sejam cada vez mais limitados e burocraticamente dificultados e inviabilizados, as associações envolvidas neste processo desejam deixar claro à opinião pública que não se calarão perante quaisquer ameaças e atropelos à dignidade e aos direitos humanos mais elementares dos imigrantes , nomeadamente daqueles cuja existência diária, tal como a de tantos portugueses, vai sendo cada vez mais precária e difícil.

ESSALAM - TERRA VIVA!AES - MUSAS
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Mais informação sobre o processo do SEF contra activistas de associações de apoio aos imigrantes:
http://ait-sp.blogspot.com/2008/10/solidariedade-com-s-trabalhadors.html
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terça-feira, 25 de novembro de 2008

Pastelaria Lua de Mel fecha sem aviso e PSP agride os trabalhadores

Os 20 trabalhadores da pastelaria Lua de Mel, situada na Baixa de Lisboa, estão diariamente em vigília frente às instalações desde o dia 15 de Novembro, aguardando por um esclarecimento dos patrões que teima em não aparecer. Tudo começou no dia 14 de Novembro à noite, sexta-feira, quando após um dia normal de trabalho, os trabalhadores receberam um telefonema informando que a pastelaria iria encerrar durante três dias para limpezas. Estranhando a situação, pois o sócio gerente, José Fernandes, não havia mencionado qualquer limpeza e até tinha recebido vários pedidos de encomendas para os dias seguintes, os funcionários decidiram voltar à pastelaria no sábado de manhã, dia 15, encontrando vários homens a “limpar” a pastelaria de todos os bens que lá existiam, retirando todas as máquinas e equipamentos que encheram pelo menos sete carrinhas. Os trabalhadores tentaram impedir a saída das carrinhas com o recheio das instalações e foi chamada a PSP. As forças policiais (que incluíam vários elementos do corpo de Intervenção) esperaram até cerca das 19h45, hora em que as lojas das redondezas já tinham fechado e o número de pessoas que por ali passava era reduzido (evitando assim que a população se juntasse ao protesto e assistisse ao que se iria passar), para cercar as instalações da pastelaria (desde a Rua da Prata onde esta se situa até ao fim da Rua de Santa Justa) para deixar sair as carrinhas com o material da pastelaria e agredir os trabalhadores que protestavam. Dois deles, Mário Sousa e António Mendes Costa, tiveram mesmo de receber assistência hospitalar devido aos ferimentos.

Os trabalhadores da pastelaria Lua de Mel, alguns com mais de 50 anos, têm um contrato colectivo de trabalho, sendo que alguns deles contam com 30 anos de casa e nunca tinham ouvido dos patrões que a pastelaria iria encerrar. Desde o início que tentam contactar com os sócios gerentes, José Fernandes e Augusto Ferreira, mas estes mantêm-se incontactáveis. Entretanto, já foi interposta uma providência cautelar para suspender este encerramento ilegal e foi pedida uma reunião ao Ministério da Administração Interna (MAI) para questionar o comportamento cobarde da PSP que não só deu cobertura à retirada do recheio da empresa, como ainda agrediu os trabalhadores. Como não receberam qualquer notificação de desemprego, os trabalhadores vêem-se obrigados a comparecer todos os dias junto à pastelaria, cumprindo na rua o seu horário, pois se não o fizerem pode-se alegar que não estão no seu posto de trabalho e justificar assim o seu despedimento. Contam com a solidariedade dos vizinhos e dos clientes que por ali passam e se deparam com o papel nas montras do estabelecimento informando sobre a falsa “limpeza” que foi apenas um estratagema para os patrões enganarem os trabalhadores e desaparecerem com tudo sem prestar contas a ninguém.

A advogada da sociedade que detém a pastelaria Lua de Mel, Alice Ferreira, veio uns dias depois informar que a empresa se debatia com dificuldades financeiras e que a gerência decidiu fechar portas, admitindo que “deveria ter sido feito um pré-aviso de encerramento” mas “a gerência optou por não o fazer” (Diário de Notícias de 19/11/2008). Alice Ferreira disse ainda que “a casa foi entregue ao senhorio porque o contrato de arrendamento cessou em Outubro” mas não quis revelar qual foi o destino do recheio da casa, referindo que existem 200 mil euros para distribuir por 17 trabalhadores e que os restantes 3 funcionários já foram levantar o cheque. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul, a indemnização proposta corresponde a 70% do valor devido e se os trabalhadores optarem pela via da indemnização vão exigir os 100%. A gerência desta antiga pastelaria da Baixa Lisboeta escolheu fechar a casa, sem sequer comunicar aos empregados e teve ainda o descaramento de os tentar enganar. Esta situação é bastante ilustrativa de como os patrões têm sempre “a faca e o queijo na mão” e fazem o que bem entendem com a vida de quem exploram. Por outro lado, podemos concluir também que, uma vez mais, a polícia, ou seja, os lacaios prontos a servir os interesses do Estado e do Capital, aparecem sempre nas melhores alturas: a tempo de silenciar a mínima voz de protesto e de usar da sua força bruta para calar quem realmente trabalha. É de salientar ainda que um dos trabalhadores agredidos vai fazer queixa contra a actuação da PSP e que os trabalhadores se mantêm unidos e com vontade de lutar pelos seus direitos.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

SESSÃO de INFORMAÇÃO sobre IMIGRAÇÃO E ACTIVISMO SOCIAL - 21 de Novembro - Porto


SESSÃO de INFORMAÇÃO
IMIGRAÇÃO E ACTIVISMO SOCIAL
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21/11/2008 (sexta) - 21.30 h
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No “Menta Couscous Marroquino”- Rua do Breiner, 248 -Porto
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Com apresentação do documentário BAB SEBTA (Portas de Ceuta)
de Frederico Lobo (sobre a situação dos imigrantes sociais que tentam chegar à Europa)
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e informações sobre o processo em curso contra activistas de
associações de apoio aos imigrantes

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Iniciativa conjunta de:
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ESSALAM-Associação dos imigrantes magrebinos e de amizade luso-árabe
e de
TERRA VIVA! Associação de Ecologia Social
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Mais informação sobre o processo do SEF contra activistas de associações de apoio aos imigrantes:
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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Vitória dos trabalhadores da Fidar ao fim de dois meses e meio de luta

Os operários e operárias da Fidar puderam, no passado dia 17 de Outubro, desmobilizar o piquete que vinham mantendo por turnos à porta da empresa desde o dia 1 de Agosto, para evitar a retirada dos bens da empresa, após terem sido despedidos sem qualquer garantia de pagamento dos direitos salariais e indemnizações devidas. Isto porque o tribunal de Guimarães decidiu, no dia 15 de Outubro, a favor dos trabalhadores que pediam a insolvência da empresa e a nomeação de um administrador judicial, que assegurasse o pagamento das dívidas da empresa aos trabalhadores.

De acordo com a decisão do tribunal, os seguranças de uma empresa privada que o patrão tinha colocado a vigiar as instalações da fábrica foram substituídos por seis trabalhadores da Fidar. São agora estes trabalhadores, pagos pela empresa, administrada judicialmente, que asseguram que nada sai da fábrica.

Os trabalhadores aguardam agora pela reunião da assembleia de credores, onde estarão representados, no dia 27 de Novembro. Só então haverá desenvolvimentos sobre o rumo da empresa, estando em princípio garantidas as indemnizações dos trabalhadores.

Após dois meses e meio, os operários da Fidar ainda não se desabituaram de ir à porta da fábrica ver como estão as coisas. Só agora começam a interiorizar a situação de desempregados (a média de anos de trabalho na Fidar é de 25 anos, sendo que muitos estão lá desde o início há 35 anos).
Mais do que a decisão do tribunal, o factor decisivo para esta primeira vitória foi a iniciativa dos 95 trabalhadores (de um total de 150 despedidos pela Fidar) que recusaram assinar um acordo de rescisão que não lhes dava garantias, permanecendo durante dois meses e meio, 24 horas por dia, de guarda aos portões da Fidar para defender os seus direitos, resistindo às provocações da entidade patronal, coadjuvada pela GNR.

Nas palavras de um dos trabalhadores da Fidar, a luta que estes levaram a cabo “deu um exemplo ao patronato da região, de que não pode fazer aquilo que lhe apetece”.


Mais sobre esta luta:

+ Empresa FIDAR – um exemplo de resistência: Há dois meses em contestação em frente às instalações da fábrica

+ Empresa FIDAR - Gondar/ Guimarães - Um caso de resistência ...
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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Espanha: Manifestações contra o Plano Bolonha e a privatização da educação


Companheir@s da CNT e das associações autónomas na manifestação de Madrid (22/10/2008)


Companheir@s da CNT e das associações autónomas na manifestação de Madrid (22/10/2008)


Companheir@s da CNT-AIT na manifestação contra o Plano Bolonha em Málaga (22/10/2008)

Em Portugal, o processo de Bolonha foi aplicado praticamente sem contestação, mas em Espanha, como noutras regiões da Europa, sucedem-se as manifestações contra o Plano Bolonha e contra todas as leis que vão levando à destruição da escola pública e à transformação das escolas e universidades em espaços privatizados e elitistas, que apenas reforçam a competição e a ausência de solidariedade, próprias das sociedades capitalistas.

O dia 22 de Outubro foi data de mobilizações, em várias cidades do Estado espanhol, contra a reforma educativa associada ao Plano Bolonha, contra a privatização do ensino e contra a degradação da escola pública.

Sobre o processo de Bolonha escreve o Sindicato do Ensino e Intervenção Social da CNT-AIT de Madrid (http://ensemad.cnt.es/):

«A mercantilização da universidade. O Espaço Europeu de Educação Superior (Bolonha)

«Os objectivos deste processo não são aqueles que a universidade cumpriu tradicionalmente. Qualquer modelo educativo superior fica sujeito a uma nova definição de estratégias produtivas do capitalismo internacional. A «Europa do conhecimento”, que se pretende alcançar a partir de 2010, preconiza que o objectivo fundamental do processo de Bolonha é “fazer da Europa a economia mais competitiva e dinâmica do mundo, baseada no conhecimento”. Não uma Europa melhor formada, nem uma Europa mais culta, nem tampouco uma Europa mais reflexiva, crítica e solidária. A transformação da universidade deve assim ser conforme com um espaço destinado a satisfazer os interesses das grandes corporações económicas, tecnológicas e mediáticas da Europa, dando primazia aos interesses económicos sobre os formativos, científicos ou culturais.
«A implantação deste processo acarreta a drástica transformação da estrutura universitária, configurando um sistema educativo de bases elitistas, que limita o total de pessoas que podem obter um curso universitário. As universidades são, portanto, obrigadas à delineação de programas com estruturas circunscritas a muito poucos ramos, com um número reduzido de cursos, nos quais os estudos humanísticos e culturais são relegados para um destino marginal.
«Este é apenas um pequeno resumo que deixa já em evidência o que o Espaço Europeu de Educação Superior pretende fazer na universidade. Existem movimentos de recusa tanto no Estado espanhol como noutros Estados europeus e pode destacar-se a recusa frontal deste plano por parte do Reino Unido.»


O Sindicato do Ensino e Intervenção Social da CNT-AIT de Madrid propõe a organização autónoma de todos os que estão fartos de assistir à brutal degradação da escola pública e da universidade, estudantes e trabalhadores do ensino, fora de qualquer organismo estatal ou de sindicatos burocráticos e subvencionados.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Solidariedade com os trabalhadores do IKEA de Brescia (Itália)

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Piquetes da USI em frente do IKEA de Brescia

No dia 1 de Setembro, sete trabalhadores do IKEA de Brescia (Itália) foram despedidos, durante a passagem de uma agência de trabalho temporário para outra, apesar das garantias dadas de que seriam reabsorvidos pela nova agência.

Estes trabalhadores exercem funções no IKEA há muitos anos, recebendo baixos salários e trabalhando mais de 200 horas por mês, sem verem respeitadas as normas de segurança no trabalho (um trabalhador teve de comprar com o seu próprio dinheiro o calçado de segurança), num parque de estacionamento sem ventilação.

Tudo isto foi permitido pelo IKEA que, encarregado de garantir o respeito das leis laborais, sempre preferiu ignorar a situação, em função da lógica do lucro sem limites e sem respeito pela dignidade dos trabalhadores.

Para contrabalançar a descida das vendas, o IKEA de Brescia optou por reduzir o pessoal e piorar as condições de trabalho, de tal forma que agora os trabalhadores do restaurante e do bar se alternam na recolha dos carrinhos do parque de estacionamento.

Os sete trabalhadores despedidos decidiram apresentar-se no IKEA de Brescia todos os sábados e domingos até à sua readmissão.

APOIA A LUTA DOS TRABALHADORES DO IKEA DE BRESCIA!
BOICOTA O IKEA!
BASTA DE TRABALHOS PRECÁRIOS E DE EXPLORAÇÃO!


Adaptação de um comunicado da Unione Sindacale Italiana, organização anarco-sindicalista, secção italiana da AIT
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Boletim Anarco-Sindicalista nº 28 (Outubro - Novembro 2008)

.Descarrega em PDF aqui:
.-Versão para net (em A4; 1,5 Mb)
- Versão para impressão (em A3; 5,5 Mb)

Neste número do Boletim:
.- Cerâmica Torreense: mais um caso de repressão patronal
- Vila Verde: Trabalhadoras de fábrica têxtil impedem saída das máquinas
- Barcelos: Tor encerra e deixa 255 trabalhadores no desemprego
- Operários da Camac (Santo Tirso) em greve devido a salários em atraso
- Três milhões de euros de salários em atraso no primeiro semestre de 2008
- Trabalho infantil perdura em Portugal
- Metade dos trabalhadores portugueses ganha até 600 euros
- Empresa FIDAR – um exemplo de resistência. Há dois meses em contestação em frente às instalações da fábrica
- A “crise” do sistema financeiro. Será que os parasitas “foram longe demais”?
- Código do Trabalho? Não, Código do Capital!
- Instituto de (Des)Emprego
- Protestos e razões para protesto no País do medo
- Não à nova guerra do Cáucaso!
- Dias de Acção Global da AIT
- A FORA-AIT ganha conflito com o restaurante La Pérgola
- Sevilha: Foi assassinada a companheira Rosa Pazos
- Despejo do Centro Social Libera de Modena em Itália
- Greve de fome do anarquista Amadeu Casellas durou 76 dias
- Supremo Tribunal dos EUA rejeita recurso de Mumia Abu-Jamal
- O que é uma organização anarco-sindicalista?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A “crise” do sistema financeiro. Será que os parasitas “foram longe demais”?

A “crise” do sistema financeiro mundial, consequência da voracidade intrínseca dos capitalistas pela obtenção de mais e mais lucros, que os levou, sobretudo nos EUA, a darem crédito para compra de habitação, garantido pela hipoteca da própria casa “comprada”, a pessoas que sabiam perfeitamente incapazes de pagar os juros correspondentes, não se deve, ao contrário do que é afirmado nos mass media, a um funcionamento deficiente dos sistemas de controle das bolsas americanas, que deveriam ter impedido a proliferação de títulos baseados nas hipotecas cujo “valor” não assentava em nenhuma criação real de riqueza e que foram rechear os “activos” de bancos e empresas pelo mundo fora.
Não, o sistema não funcionou mal, pelo contrário. Os lucros da finança e da banca – as remunerações dos respectivos accionistas e gestores bem o demonstram – cresceram exponencialmente até ao máximo que conseguiram com este método. Agora, preparam-se para mudar de método e recorrer ao Estado, isto é, aos impostos que foram cobrados aos chamados cidadãos, supostamente para serem utilizados em seu benefício, não para, por exemplo, construir hospitais ou atenuarem o empobrecimento progressivo da população, mas para comprar os tais “activos” que nada valem e reporem a banca e a finança a funcionar em pleno para nova fase de acumulação de capital.
Observando bem, a origem da “concessão” de crédito de alto risco está no facto, absurdo para os capitalistas, de, por exemplo nos EUA, ainda existirem, há coisa de uns dez anos, milhares e milhares de americanos ainda não completamente apanhados pelo sistema financeiro, e a quem, tudo somado, ainda podiam espremer uns quantos milhões de dólares. Se não pudessem pagar os empréstimos a tempo e horas tudo bem, iriam acto contínuo para a rua através da execução das hipotecas, como já sucedeu a milhares de famílias americanas. E, agora que o preço de venda das casas hipotecadas, com tanta casa à venda, caiu de tal modo que nem em leilões as conseguem vender por preço que assegure a continuação do negócio, que fazer? Simples, serão todos os contribuintes, incluindo esses mesmos que essas empresas imobiliárias puseram na rua que vão pagar, através do chamado erário público para o qual contribuíram praticamente desde que nasceram... para “recuperar” a situação de “descalabro” financeiro a que chegaram.
São caso exemplar os dois “gigantes” americanos do crédito hipotecário, a Freddie Mac e a Fannie Mae: do bolo astronómico de 700 mil milhões de dólares que a administração americana vai oferecer a várias grandes empresas e bancos americanos, quase um terço, 200 mil milhões, destinam-se a “salvar” essas duas.
Note-se que, na mesma semana em que o Estado americano anunciava esse “pacote” de “ajuda à economia” e de “correcção ao mau funcionamento do mercado”, Jacques Diouf, director da ONU-FAO, denunciava um aumento de 75 milhões de pessoas a passar fome no mundo, em 2007, comparando com 2006 (o que eleva para 925 milhões a estimativa do número total de pessoas que passam fome hoje em dia), e que, segundo os próprios cálculos daquela organização, “será preciso investir 30 mil milhões de dólares por ano para duplicar a produção alimentar e eliminar a fome no mundo”, ou seja, uma pequena parte do que a versão actual da “ajuda” estatal vai entregar à Freddie Mac e à Fannie Mae. Claro que o que Jacques Diouf certamente sabe, mas não diz, é que o objectivo real dos capitalistas nunca foi, nem será, matar a fome à pobreza.
Esta soma colossal de 700 mil milhões de dólares será certamente tirada de alguma cartola de mágico, pois que, segundo sempre dizem, nunca há dinheiro para, por exemplo, impedir uma simples falência de uma empresa, que vai atirar mais uns tantos trabalhadores para o desemprego, mesmo nos casos em que é o próprio Estado um dos seus grandes credores directos. Claro que, neste caso, a “mão invisível do mercado” estará a funcionar em pleno e sem precisar da ajuda correctora do Estado...
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Para nós, o capitalismo é sempre essencialmente igual a si próprio, mais “liberal” ou mais “intervencionado”, mais “livre” ou mais “regulado”, mais “privado” ou mais “estatal”: em termos voluntariamente simplistas, é uma máquina muito bem oleada de fazer fortuna e granjear poder para alguns à custa da exploração e do empobrecimento de muitos.
Não, os parasitas não “foram longe demais”. Eles preferirão sempre arrastar-nos a todos para o abismo a abdicar do que quer que seja, a não ser para ainda melhor perpetuar a sua própria existência, servindo-se do aparelho de Estado para tentar garantir por todas as formas, incluindo pelas armas se necessário, a sua sobrevivência. Não resta de facto alternativa ao capitalismo a não ser a sua destruição.
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António Mota
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Ao contrário do que se poderia esperar, os gestores ligados aos bancos e às empresas que supostamente entraram em “colapso” devido à chamada crise do crédito de alto risco, dos quais aqui apresentamos alguns, foram recompensados pelos lucros fabulosos que proporcionaram aos respectivos accionistas. No caso de John Thain, contemplado com um bónus de 10,6 milhões de euros pelo seu “desempenho” durante o ano de 2007, trata-se do presidente executivo da Merril Lynch, que apenas entrou naquela corretora em Dezembro. Nada mau, como recompensa de um mês de “trabalho”...
Nos EUA, tanto os ordenados como os bónus dos gestores financeiros estão directamente ligados aos lucros obtidos pelas empresas – não dá sequer para imaginar quais terão sido os lucros da Merril Lynch em todo este período de “crise”.
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domingo, 12 de outubro de 2008

Empresa FIDAR – um exemplo de resistência: Há dois meses em contestação em frente às instalações da fábrica

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A empresa FIDAR integra um conjunto de empresas que gradualmente foram fechando, sem que os trabalhadores recebessem as indemnizações respectivas por parte do patronato. No que é igual a tantos casos de manipulação e desrespeito por quem se vê subjugado pelas duras leis do trabalho capitalista, a luta destes trabalhadores em concreto, constitui um caso de resistência raro porque continuado no tempo e de forma, diremos, apartidária.
A FIDAR é uma pequena – média empresa de têxteis sediada na região de Gondar, Guimarães, que fechou as portas no fim do mês de Julho por alegada baixa de produtividade.
No seguimento de uma situação aparentemente de crise, o patrão tenta estabelecer acordos com os trabalhadores, no número de 150, para que estes oficialmente declarem o abandono voluntário do seu posto de trabalho, sendo que, o valor a receber ao assinar tal acordo se mostrava francamente inferior ao que, na realidade, deveriam receber.



Os trabalhadores já em protesto afirmam que a forma como este acordo estava redigido encobria os reais motivos do despedimento: por um lado, uma vez que afirmava que os trabalhadores abandonavam os seus postos de trabalho de forma voluntária e não por motivos de carácter financeiro, por outro lado, o montante a receber estava propositadamente em destaque na mancha de texto e seria, como foi, pago em dinheiro vivo no momento da sua assinatura.
54 trabalhadores aceitam o acordo, 93 declinam a proposta, uma vez que o patrão não dá quaisquer garantias do pagamento posterior das indemnizações que efectivamente lhes são devidas. Soma esta que excede em muito a quantia que aquele acordo estabelecia.



Assim sendo, os trabalhadores discordantes manifestam-se desde o dia 1 de Agosto do corrente ano em frente à fábrica, onde permanecem dia e noite até que toda a situação seja justamente regularizada. Note-se que muitos destes têm mais de 30 anos de trabalho nesta empresa e sabem ser extremamente difícil encontrar outras formas de rendimento devido à sua idade, desconsiderada, também ela, nas ofertas de trabalho existentes. Existem, da mesma forma, casais desempregados e com filhos que, trabalhando na mesma empresa, se vêem absolutamente sem rendimentos. É certo que estão a ser auxiliados pelo fundo de desemprego, o que impede que a contestação surja sob outras formas, contudo, não será garantia de uma pacificação por muito mais tempo, afirmam os próprios. É uma espécie de mundo ao contrário, diz um dos trabalhadores, uma vez que, devido à contestação levada a cabo, até já se sentiram enganados também pela GNR.
As forças policiais deram já encobrimento ao patrão ao deixarem que este abandonasse as instalações da fábrica sem que fosse devidamente revistado, numa situação que lembra um autêntico filme, afirma outro dos contestatários. Neste sentido, passaram as autoridades por cima de uma ordem judicial que obriga à inspecção de todos os veículos que entrem ou saiam da fábrica, para que se salvaguardem os bens que se encontram dentro da mesma, única garantia do pagamento das indemnizações aos trabalhadores.
Na situação acima referida, existiu uma clara conivência entre o sargento da GNR e dos seus súbditos, com o patrão da FIDAR. Para além dos senhores polícias terem agido de forma brusca com os trabalhadores que protestavam ao chegarem à fábrica, aceitam que o carro do patrão não seja revistado aos olhos de tod@s, mas nas instalações da GNR.
Como testemunhas, dois trabalhadores que seguiam noutro carro da GNR afirmam que deixaram de ver o carro do patrão que seguia na mesma estrada, pois o polícia condutor abranda propositadamente. Assim, ficou sem se saber o que aconteceu no espaço em que os carros se afastam. Obviamente que os trabalhadores se sentiram gozados ou mesmo raptados pelos agentes (como referem), pois teria deixado de fazer sentido testemunharem seja o que fosse porque muita coisa poderia já ter acontecido naquele espaço de tempo, em que se viram sozinhos na estrada com os senhores polícias.
Os trabalhadores descobriram ainda ligações ambíguas entre o advogado e uma empresa que surge posteriormente ao encerramento da FIDAR e à qual se tentam vender os bens da FIDAR, etc. São estas as situações insólitas ocorridas durante a contestação que ainda dura dia e noite em frente às instalações da FIDAR.

Trabalho do Colectivo Anarquista Hipátia – Porto

A.S. – Entrevistas
U.Z. – Fotos
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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Solidariedade com @s trabalhador@s imigrantes e activistas sociais!

Porto: um processo do S.E.F. a activistas sociais por “difamação”…


Manifestação de luto imigrante - Porto, Junho de 2006

Fez no passado mês de Junho dois anos que as associações TERRA VIVA! AES, ESSALAM (associação de magrebinos), AACILUS (afro-brasileira) e MUSAS decidiram convocar uma Conferência de Imprensa e, mais tarde, uma “Manifestação de Luto Imigrante” no Porto (na qual participaram outras associações e colectivos sociais) contra o tratamento discriminatório no SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) do Porto que, conforme denunciado pela comunidade paquistanesa local (entre outras), estaria na origem do suicídio do operário de construção civil, precário, imigrante paquistanês, Hamid Hussain.

Este processo vai agora a julgamento em Dezembro de 2008 nas pessoas de quatro activistas associativos representantes das quatro associações (respectivamente Paiva, Rachid, Flávio e Abílio M.).

Com efeito, Hamid Hussain, casado e pai de 2 filhos e a residir legalmente havia 5 anos em Portugal, trabalhador precário como milhares de outros, portugueses e imigrantes, tinha sido confrontado no SEF do Porto com a exigência de provar, para poder renovar a sua autorização de residência, ter um rendimento anual de mais de 5400 €… Alegando justamente que muitos trabalhadores portugueses não aufeririam anualmente essa quantia, Hussain exigira então que o Estado português lhe devolvesse os seus descontos para a Segurança Social de forma a poder regressar ao seu país. Ridicularizado, enxovalhado e mal tratado – o que não era nem será, ainda hoje, caso único no SEF do Porto! -, ameaçado de expulsão, conforme contara a amigos seus, Hussain entrou em depressão e acabaria por se suicidar saltando da ponte D. Luís.

Apesar de ter nas suas roupas a sua documentação pessoal (passaporte e número de contribuinte), os seus amigos e familiares só uma semana depois saberiam do sucedido por terem procurado o seu corpo na Instituto de Medicina Legal do Porto, onde já se preparava a sua incineração sem qualquer informação ao consulado ou aos seus familiares e amigos.

A TERRA VIVA! AES, na altura em parceria activa com várias associações dos meios imigrantes do Porto, através do seu projecto “Fazer Caminhos” do âmbito do Programa ESCOLHAS (patrocinado pelo então ACIME – agora ACIDI), seria por causa desta denúncia pública chamada primeiro “à capa” pela delegação do ACIME do Porto – justificando então a sua acção pelo facto de ter responsabilidades sociais na defesa dos trabalhadores imigrantes e no desenvolvimento da inserção do seu projecto nesses meios – até porque tinha em preparação um outro projecto para o triénio 2006-2009 em parceria com seis associações imigrantes da área do Grande Porto (projecto esse que entretanto acabou por não ser apoiado pelo “Escolhas/ACIME”…). A seguir, em Dezembro de 2006, os quatro activistas da Terra Viva!, ESSALAM, AACILUS e Musas, receberiam a acusação de “difamação agravada” do “bom nome” do SEF em processo movido por aquela autoridade policial.


Manifestação de luto imigrante - Porto, Junho de 2006

Entretanto também, poucos meses após estes factos, o responsável local do SEF, Eduardo Margarido – cuja demissão fora exigida tanto na manifestação como em abaixo-assinado a circular na altura –, acabaria por ser afastado da chefia da delegação daquela polícia no seguimento de diversas queixas de imigrantes e associações.

Como muitos dos motivos que levaram estes e outros activistas a agir continuam a existir, apela-se a todos @s activistas sociais e libertári@s, associações imigrantes e de solidariedade imigrante que se solidarizem e façam ouvir a sua voz!

VIVA A SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL DE TRABALHADORAS/ES E “EXCLUÍD@S”!
NÃO AO RACISMO, NÃO À EXPLORAÇÃO, NÃO À EUROPA FORTALEZA!
LEMBREMOS HAMED HUSSAIN!


Porto, 29 /06/2008

(em breve, em data e local a marcar, será organizada uma reunião de solidariedade e informação)

Artigo publicado no Boletim Anarco-Sindicalista nº 27 (Junho - Julho 2008)

Comunicado para distribuição (em PDF): http://www.freewebs.com/ait-sp/comunicados/PanfletosolidariedadecasoSEFPorto.pdf
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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

29 de Agosto - Dia de Acção Global contra a Cruz Vermelha

Solidariedade com Federico Puy

Em Maio de 2008, Federico Puy, membro da FORA (Federación Obrera Regional Argentina) - secção argentina da AIT -, professor empregado na Cruz Vermelha da Argentina, foi despedido do seu local de trabalho por motivos ideológicos. Pode encontrar-se mais informação sobre este caso aqui.

Como resposta e exigindo a reincorporação de Federico Puy, a AIT convocou um Dia de Acção Global contra a Cruz Vermelha para o dia 29 de Agosto de 2008. Como pretendemos que esta acção tenha o máximo de impacto, convidamos @s companheir@s dispostos a levar à prática as ideias de solidariedade e acção directa a participar neste dia de acção.

Nos próximos dias, o site http://gda.iwa-ait.org/ será actualizado com mais informação sobre este dia de acção.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Não à nova guerra do Cáucaso!

Comunicado da Federação dos Trabalhadores da Educação, Ciência e Técnicos – CRAS-AIT (Confederação de Revolucionários Anarco-Sindicalistas, Secção Russa da AIT)

A erupção de acções militares entre a Geórgia e a Ossétia do Sul ameaça transformar-se numa guerra de larga escala entre a Geórgia apoiada pelo bloco da NATO, por um lado, e o Estado Russo, por outro. Milhares de pessoas foram já mortas e feridas – principalmente habitantes pacíficos –; cidades e povoações inteiras foram apagadas do mapa. A sociedade foi inundada por correntes lamacentas de histeria nacionalista e chauvinista.

Como sempre e onde quer que surjam conflitos entre Estados, não há nem podem haver justos nesta nova guerra do Cáucaso, existem apenas culpados. Ao longo dos anos espalharam as brasas que agora acenderam o fogo da guerra. O regime de Saakashvili na Geórgia mantém dois terços da população num estado de pobreza, e quanto maior é o descontentamento interno que isto provoca, maior é o seu desejo de encontrar uma saída deste impasse sob a forma de uma “pequena guerra vitoriosa”, na esperança de assim fazer esquecer todos os problemas.

Os governantes da Rússia estão inteiramente determinados em manter a sua hegemonia sobre o Cáucaso. Hoje assumem a pose de defensores dos fracos, mas a sua hipocrisia é por demais clara: de facto, Saakashvili apenas repete o que os soldados de Putin fizeram na Tchetchénia há nove anos. Os círculos dirigentes de ambas as Ossétias e da Abkházia aspiram a fortalecer o seu papel como aliados exclusivos da Rússia na região, e ao mesmo tempo unir a população empobrecida em torno de conceitos já testados como a “ideia nacional” e a “defesa do povo”.

Os líderes dos EUA, dos Estados europeus e da NATO, pelo contrário, pretendem enfraquecer tanto quanto possível a influência dos seus rivais russos sobre o Cáucaso, para poderem assegurar o seu controlo sobre os recursos combustíveis da região e o seu transporte. Assim, tornamo-nos testemunhas e vítimas do próximo ciclo do conflito mundial por poder, petróleo e gás.

Este conflito não traz nada mais à população trabalhadora – Georgianos, Ossetas, Abkhazes ou Russos –, excepto sangue e lágrimas, desastres incalculáveis e privações. Expressamos a nossa profunda simpatia aos amigos e familiares das vítimas, às pessoas que ficaram sem um telhado sobre as suas cabeças e sem meios de subsistência como resultado desta guerra.

Não nos devemos deixar cair sob a influência da demagogia nacionalista que exige a unidade com o “nosso” governo, levantando a bandeira da “protecção da terra natal”. Os inimigos principais das pessoas simples não são os seus irmãos e irmãs pobres do outro lado da fronteira ou doutra nacionalidade. Os seus inimigos são os governantes e patrões de todos os tipos, presidentes e ministros, homens de negócios e generais, aqueles que geram as guerras para poderem multiplicar o seu poder e riqueza. Apelamos à população trabalhadora na Rússia, nas Ossétias, na Abkházia e na Geórgia para que rejeite o isco do nacionalismo e patriotismo e vire a sua raiva contra os governantes e os ricos de ambos os lados da fronteira.

Soldados russos, georgianos, ossetas e abkhazes:
Não obedeçam às ordens dos vossos comandantes! Virem as vossas armas contra aqueles que vos enviaram para a guerra! Não disparem contra os soldados “inimigos” – confraternizem com eles, a baioneta cravada no chão!

Trabalhadores na retaguarda:
Sabotem os esforços militares, participem em reuniões e manifestações contra a guerra, organizem-se e declarem a greve contra a guerra!

Não à guerra e aos seus organizadores – governantes e ricos! Sim à solidariedade dos trabalhadores acima das fronteiras e das linhas de frente!


Federação dos Trabalhadores da Educação, Ciência e Técnicos – CRAS-AIT (Confederação de Revolucionários Anarco-Sindicalistas, Secção Russa da AIT)

http://www.kras.fatal.ru/

sexta-feira, 4 de julho de 2008

quinta-feira, 3 de julho de 2008

5 de Julho - Dia de Acção Global contra a Starbucks





O Sindicato de Trabalhadores do Comércio e Hotelaria da CNT-AIT (secção espanhola da AIT) em Sevilha, juntamente com o Sindicato de Trabalhadores da Starbucks de Grand Rapids (no Michigan- E.U.A.) da Industrial Workers of the World (IWW, uma organização internacional de sindicalismo de base) convocaram um Dia Global de Acção contra a Starbucks para dia 5 de Julho próximo.

O motivo é a política de repressão por parte da Starbucks às tentativas de união sindical d@s trabalhador@s da Starbucks. O último caso deu-se em Sevilha onde a companheira Mónica, militante da CNT (secção espanhola da AIT), foi despedida por tentar organizar uma secção sindical deste sindicato no seu local de trabalho.
Para saber mais clica aqui...


Existe uma página de internet, que resulta da coordenação de esforços entre companheir@s da AIT e da IWW, onde se podem acompanhar as iniciativas do Dia de Acção Global Contra a Starbucks. O endereço é:
http://gda.iwa-ait.org/


Também se pode encontrar informação de interesse em:

Sindicato da IWW na Starbucks:
http://www.starbucksunion.org/

Secção Sindical da CNT-AIT na Starbucks
http://seccionstarbuckscnt.wordpress.com/

Nota: em Portugal não existe por enquanto nenhuma loja da Starbucks, embora esteja prevista a abertura de uma ainda em 2008...

terça-feira, 1 de julho de 2008

Contra a repressão sindical na Lionbridge da Polónia

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Subsidiária em Portugal: Liox – Tecnologias, Lda (Alvalade)*
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Cartazes colados à porta da filial portuguesa da Lionbrigde, em Lisboa

Em Dezembro de 2007, trabalhadores do escritório da Lionbridge Technologies em Varsóvia, Polónia, – uma multinacional de tradução de software e documentação informática para várias línguas, que trabalha para empresas como a Microsoft ou a Adobe – criaram um sindicato independente e baseado em princípios não-hierárquicos. A 12 de Fevereiro de 2008, Jakub G., um representante desse sindicato, foi injustamente despedido. A demissão veio logo após o anúncio de que um sindicato tinha sido formado na empresa, apesar do facto de Jakub estar protegido pela Lei do Trabalho Polaca como sendo um representante sindical eleito pelos trabalhadores.

Jakub foi alertado por membros da direcção da multinacional que a existência de um sindicato tornaria a empresa "menos competitiva". O motivo apresentado para a sua dispensa foi que este tinha "prejudicado a imagem da companhia" através da publicação de um artigo na Internet. Nenhuma prova desta alegação foi apresentada e, na realidade, uma outra pessoa admitiu ter sido ela a escrever o artigo. O texto em questão foi, de facto, baseado inteiramente em informações publicamente disponíveis na internet.

Incidentes de perseguição e despedimento de sindicalistas, em desrespeito pela própria lei e, sobretudo, pelos direitos dos trabalhadores a se auto-organizarem, são bastante comuns na Polónia. A maior parte das vezes estes despedimentos ocorrem imediatamente depois da criação de um sindicato nas empresas.

Jakub apresentou no Tribunal do Trabalho Polaco um processo judicial contra a Lionbridge e a primeira audição terá lugar no dia 4 de Julho. A União de Sindicalistas da Polónia (ZSP), organização anarco-sindicalista, está a organizar um piquete de protesto em Varsóvia e estão também a ser planeados piquetes e outras acções de solidariedade junto às filiais da Lionbridge por todo o mundo, ao longo desta semana.

PELA READMISSÃO IMEDIATA DE JAKUB G.!

EM SOLIDARIEDADE COM TOD@S @S TRABALHADOR@S
QUE SE AUTO-ORGANIZAM E LUTAM POR UMA VIDA MELHOR!


Associação Internacional d@s Trabalhador@s -Secção Portuguesa
01/Julho/2008

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* Liox - Tecnologias, Lda
Av. da Igreja, 42 - 8 Andar
1700-293 LISBOA
Portugal
Tel: +351 21 7910 880
Fax: +351 21 7938 193

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Pela reincorporação do professor Federico Puy, membro da FORA-AIT despedido pela Cruz Vermelha por motivos ideológicos!

A filial da Cruz Vermelha Internacional no Bairro de Saavedra, em Buenos Aires (Argentina), despediu sem causa o docente Federico Puy, que leccionava as matérias de Educação Cívica e Língua e Literatura ao primeiro e ao terceiro anos do Bacharelato para adultos com orientação em Saúde, que ali funcionava.

A boa disposição do professor, a identificação que conseguiu com os seus alunos e os conteúdos ensinados em matéria de direitos humanos, enfureceram as autoridades do estabelecimento que despediram o docente, actuando desta forma como na época da ditadura militar, coarctando a liberdade de expressão e de escolha dos professores.

Para além de submetido à precarização laboral, Federico Puy não recebeu qualquer pré-aviso de despedimento, nunca lhe foram mostrados os pagamentos realizados e foi-lhe alterada o momento de entrada no estabelecimento, para poder fazer uso do período de experiência e despedi-lo.
Questionaram-lhe a planificação anual, aludindo a que “tinha muita carga ideológica”, obrigando o docente a retirar das unidades temáticas das sua aulas de Educação Cívica conteúdos referentes aos Direitos Humanos e à história dos sangrentos Estados toatalitários da história contemporânea, alegando que não eram temas que os alunos devessem conhecer. Também o proibiram de falar de Sindicalismo e Peronismo nas aulas, tendo-lhe sido proposto que, em alternativa, leccionasse as Encíclicas Papais referentes ao tema. Convém sublinhar que o Ministério da Educação da Argentina promove e permite que se fale dos Estados totalitários e do sindicalismo nas aulas.

Os estudantes realizaram uma petição exigindo a reincorporação do professor despedido e pediram explicações às autoridades do estabelecimento, a resposta por parte da direcção da Cruz Vermelha (filial de Saavedra) foi o início de uma perseguição aos alunos, caindo em discriminações raciais e xenófobas.

Este é um caso de descriminação ideológica e uma pequena mostra de que na sede de Saavedra não se respeitam as bandeiras de humanidade erguidas pelos milhões de voluntários e colaboradores da Cruz Vermelha Internacional, sempre presentes, prestando a sua solidariedade, nos locais onde têm lugar as catástrofes políticas, sociais e ambientais. Além do mais, demonstra a precariedade laboral, o autoritarismo, coarctando a liberdade de expressão e a liberdade de ensino pelas quais tanto lutaram milhares de pessoas nas épocas mais duras da história da Argentina.

Por isso exigimos:

BASTA DE DISCRIMINAÇÃO IDEOLÓGICA!
REINCORPORAÇÃO IMEDIATA DO PROFESSOR FEDERICO PUY!

Informação compilada a partir de diversos comunicados que nos foram enviados pela Sociedade de Resistência de Ofícios Vários – Capital (Federada na FORA-AIT).
Contacto: oficiosvarioscapital@fora-ait.com.ar

Enviar demonstrações de solidariedade e pedidos de reincorporação para:

info@cruzroja.org.ar
escuelacentral@cruzroja.org.ar
saavedra@cruzroja.com.ar
v-crespo@cruzroja.org.ar


terça-feira, 10 de junho de 2008

Círculo de Estudos Sociais Libertários no Porto

CESL - Círculo de Estudos Sociais Libertários
Porto

História social, movimentos sociais, modelos de organização libertária, experiências sociais, ecologia social, economia autogerida sustentável, ética libertária, alternativas de intervenção social, filosofia, …

discussão semanal de textos de apoio ( a enviar p/mail), plano de estudos a decidir em conjunto, leitura e reflexão individual com discussão grupal , vídeo-debates, palestras

QUINTAS - FEIRAS - 21.30 na Terra Viva! AES
( COM CAFÉ LIBERTÁRIO )
Rua dos Caldeireiros, 213 – Porto (à Cordoaria)

ACTIVIDADES JÁ REALIZADAS:

-29 de Maio – “ Brad Will. Uma noite mais nas barricadas" -Documentário sobre Brad Will, do Indyme- dia, assassinado por paramilitares na revolta de Oaxaca ( México, 2006), e as lutas em que esteve envolvido.

-5 de Junho -Textos de“A GUERRA DA TARIFA”-Luta popular por transportes melhores em São Paulo


PRÓXIMAS ACTIVIDADES:

-12-19 de Junho – Ciclo Textos “Anarquismo Social” –F.Mintz e FARJ ( do Rio de Janeiro)

- 7 Julho –SESSÃO COMEMORATIVA DO ATENTADO ANARQUISTA A SALAZAR EM 1937
- SETEMBRO: INÍCIO DE CICLO DE DIVULGAÇÃO sobre a história e obra de NENO VASCO
- OUTUBRO: -INÍCIO DE CICLO DE TEXTOS de MALATESTA- Vídeo “REDS” e debate sobre a Revolução de Outubro e os anarquistas russos

DEIXA O TEU CONTACTO OU INSCREVE-TE ATRAVÉS DO MAIL: terraviva@aeiou.pt
MAIS INFORMAÇÕES : 967694816

sexta-feira, 30 de maio de 2008

CNT-AIT e IWW declaram guerra à Starbucks


O Sindicato de Trabalhadores do Comércio e Hotelaria da CNT-AIT (secção espanhola da AIT) em Sevilha, juntamente com o Sindicato de Trabalhadores da Starbucks de Grand Rapids (no Michigan- E.U.A.) da Industrial Workers of the World (IWW, uma outra organização internacional de carácter sindicalista revolucionário) convocaram um Dia Global de Acção contra a Starbucks para dia 5 de Julho próximo.
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A Starbucks, multinacional de cafés, é conhecida pelas más condições de trabalho e de pagamento que oferece aos seus empregados. Tem também vindo a prosseguir uma estratégia de combate à organização sindical dos seus trabalhadores.
O último caso de repressão sobre trabalhadores que se tentam organizar para fazer frente à exploração ocorreu em Sevilha, onde a companheira Mónica foi despedida por estar a organizar uma secção sindical da CNT-AIT naquela empresa.
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O Sindicato de Comércio e Hotelaria da CNT-AIT em Sevilha faz o seguinte apelo: «No nosso sindicato não vamos permitir a repressão sindical sobre a nossa companheira, e vamos lutar pela sua readmissão. A CNT declara guerra à Starbucks, e vamos iniciar uma campanha internacional, para a qual contamos com a solidariedade de toda a Associação Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras e de outros sindicatos de base como os da IWW. Pedimos a toda a CNT e a todas as secções da AIT solidariedade, da seguinte maneira:
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1 - Envio massivo de correios electrónicos de solidariedade, para o seguinte e-mail: hschultz@starbucks.com e atencionalcliente@starbucks.com
O texto que sugerimos é: «Monica readmisión, Stop Represion Sindical».
2- Realizar concentrações e demais acções de solidariedade em frente dos estabelecimentos da multinacional.
3- Estamos a organizar um dia de acção global contra a Starbucks, para o dia 5 de Julho de 2008, no qual protestaremos contra a política anti-sindical da corporação, que ficou clara com o despedimento da trabalhadora da CNT e com a discriminação sindical que sofrem os trabalhadores da IWW em Grand Rapids, Michigan, EUA.

Blog da Secção Sindical da CNT-AIT na Starbucks:
http://seccionstarbuckscnt.wordpress.com/

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Feira do Livro Anarquista - Lisboa - 23, 24 e 25 de Maio

A AIT-SP estará presente na Feira do Livro Anarquista, que decorrerá no Grupo Desportivo da Mouraria, em Lisboa, nos dias 23, 24 e 25 de Maio.

Mais informações em:
http://feiradolivroanarquista.blogspot.com/

domingo, 11 de maio de 2008

A “crise” do sistema financeiro

A “crise” do sistema financeiro internacional soma e segue e, como de costume, afecta sobretudo os trabalhadores, desempregados, jovens, imigrantes, pensionistas e outros deserdados. Para os capitalistas, a lógica é sempre a mesma: continuarem a encher-se à custa do trabalho alheio e da especulação bolsista, indiferentes às consequências que daí possam advir para a humanidade, como mais uma vez o demonstra a crise financeira desencadeada, desde o início do ano passado, pela especulação desenfreada gerada pelo mercado do crédito à habitação nos EUA. Este tipo de crédito foi imediatamente revendido por uma pequena parte do seu “valor” a outras instituições de crédito (a titularização dos créditos), o que por sua vez possibilitou novas operações de crédito e novas titularizações, e permitiu um rápido aumento do “valor” formal de muitas instituições financeiras e grandes empresas em todo o mundo que adquiriram estes títulos, aumento esse baseado no endividamento de dezenas de milhares de famílias americanas. Claro que, quando os compradores deixaram de poder pagar as prestações das casas e o valor de mercado destas, hipotecadas pelos bancos, tinha entretanto baixado e deixara de cobrir os empréstimos, todo este esquema começou a ruir como um castelo de cartas, o que se traduziu na restrição e encarecimento do crédito bancário em geral, com o consequente estrangulamento de toda a actividade económica – na linguagem eufemística dos economistas, a crise começou a afectar a “economia real”.

Porém, todos nós já sabíamos que este esquema, em que a “riqueza” parecia surgir do nada, não se podia manter indefinidamente. E como, apesar dos repetidos avisos que os economistas de serviço vão sempre fazendo (que o investimento especulativo não pode ultrapassar um certo patamar relativamente ao investimento produtivo, isto é, na chamada economia real) o chamariz da obtenção fácil e rápida de lucros chorudos atrai irresistivelmente os parasitas de toda a ordem, a “crise” do sistema financeiro não tem cessado de se agravar e de alastrar a nível mundial.

As consequências da especulação financeira são de tal modo devastadoras, que a Organização Internacional do Trabalho, no seu relatório anual Tendências Mundiais do Emprego, divulgado em 23 de Janeiro passado, já previa que “cinco milhões de pessoas podem este ano perder o emprego devido à turbulência da economia internacional provocada pela crise nos mercados de crédito e pelo aumento dos preços do petróleo.”(*).

Agora, chegou a vez do próprio presidente da Reserva Federal norte-americana, Ben Bernanke, vir a público reconhecer que talvez bastasse que os bancos desistissem de uma parte dos seus lucros para que se conseguisse atenuar os efeitos da crise actual. Depois de, desde Setembro passado, terem sido dadas várias “explicações” para o desencadeamento da “crise” e propostas várias medidas (a culpa seria do excesso de crédito e dos especialistas encarregados de avaliar o “valor” bolsista das empresas cotadas em bolsa, a solução seria todas as empresas cotadas deixarem de aldrabar nos seus relatórios e assinalarem claramente os valores fictícios aí incluídos, ou então as instituições de crédito alargarem o prazo de reembolso dos mesmos), Ben Bernanke, no dia 4 de Março, lá acabou por sugerir nada mais nada menos do que o perdão, pelos bancos, de parte dos empréstimos, como forma de suster o agravamento da “crise”, o que para estes deve constituir a suprema heresia.

Esta conclusão, a que Bernanke penosamente chegou, apenas vem confirmar o que nós temos afirmado ao longo do tempo: que o verdadeiro responsável pela miséria e constante degradação das condições de vida da população mundial é o sistema capitalista, baseado na remuneração crescente dos capitais investidos, o que, devido ao aumento contínuo da concorrência inter-capitalista, se torna cada vez mais difícil e conduz, periodicamente, a guerras cada vez mais destrutivas e cada vez mais frequentes, que possibilitam novo ciclo de “desenvolvimento” e de acumulação do capital, baseado na reconstrução do que foi destruído, financiada por “generosos” grupos de investidores, como verificámos, por exemplo, nos casos da ex-Jugoslávia e do Iraque.

Aos trabalhadores, oprimidos e desapossados em geral, não resta mesmo outra perspectiva que não seja a necessária expropriação dos expropriadores, a destruição desta sociedade iníqua e a sua substituição por um meio social assente na liberdade individual, na igualdade social, na cooperação pelo livre acordo, na ajuda-mútua e na solidariedade.

António Mota

(*) Referido no jornal “PÚBLICO” de 25/1/2008 – sublinhado nosso.

artigo publicado no Boletim Anarco-sindicalista nº 26 (disponível para descarregar em pdf aqui)

terça-feira, 6 de maio de 2008

Argentina: luta dos trabalhadores do restaurante “La Pérgola” apoiada pela FORA

A Sociedade de Resistência Ofícios Vários da Capital Federal, pertencente à FORA (Federacion Obrera Regional Argentina), secção argentina da AIT, encontra-se há duas semanas em luta pela readmissão de oito trabalhadores despedidos do restaurante “La Pérgola”, na Capital Federal, assim como pela regularização da sua situação laboral e pelo fim do assédio laboral por parte da entidade patronal.

O proprietário do restaurante, e do grupo empresarial Gourmet S.A., tentou comprar um dos trabalhadores, procurando dividi-los, mas, não o tendo conseguido, começou a recorrer a várias formas de intimidação, através de ameaças físicas e verbais. Para isto, o proprietário do restaurante contratou capangas, que utiliza também para gerar situações de conflito durante as manifestações de solidariedade e assim tentar acusar os trabalhadores e os manifestantes de distúrbios.

Devido à acção dos companheiros da FORA o restaurante está há já duas semanas praticamente sem clientes.

Vídeo de uma manifestação dos companheiros da FORA em frente ao restaurante:

Em solidariedade com a luta dos companheiros da FORA podem ser enviados faxes, e-mails e cartas para os seguintes endereços:

Fax: 005411-4632-1060 (Pedir señal de fax)
E-mail: restolapergola@fibertel.com.ar
Correo ordinario: Aldo Marasco, Avenida AVELLANEDA 1899, barrio de flores, Capital Federal, Argentina.


Em baixo está uma proposta de carta a enviar:

Repudiamos el despido injusto y arbitrario de los trabajadores de LA PERGOLA, así como la situación de hostigamiento que provocan ustedes al desinteresarse completamente de los derechos de los trabajadores, generar provocación y persecución, y no reconocer el legitimo derecho de los trabajadores a organizarse en un reclamo necesario como es la regularización laboral.

Exigimos su inmediata reincorporación y el cese del acoso laboral tanto a usted y a su grupo empresarial GOURMET S.A., como a todos los que colaboran para mantener las condiciones de explotación que sufren sus trabajadores.

Nosotros nos solidarizamos con los trabajadores de “La Pérgola”, porque entendemos que usted esta cometiendo una injusticia muy grave y mantendremos esta actitud hasta que se respeten de una vez los derechos de los trabajadores y su familia.

Los trabajadores de LA PERGOLA no están solos, sépalo.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Anarco-sindicalismo, lutas sociais e possibilidades de resistência no campo laboral

Debate promovido pela AIT-SP
10 de Maio - 16 horas

O objectivo deste debate é apresentar e debater as nossas ideias juntamente com outras pessoas interessadas em lançar as bases de uma resistência sindical baseada na solidariedade e na acção directa, organizada em moldes anti-autoritários e que não admita concertações sociais ou outras formas de compromisso com os que nos exploram e oprimem.

É urgente construir formas anti-autoritárias de resistência no campo laboral, criando práticas de solidariedade efectiva e de acção directa, se queremos não só resistir aos golpes do Estado e do patronato, mas também construir alternativas de vida como a que pode ser o comunismo libertário.

10 de Maio - 16 horas - no Centro de Cultura Libertária
(Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto. – Cacilhas - Almada)

Centro de Cultura Libertária
http://culturalibertaria.blogspot.com/

domingo, 4 de maio de 2008

1º Maio: Polícia Militar reprime manifestação da COB-AIT em São Paulo (Brasil)

Excertos de um comunicado da Federação Operária de São Paulo:

Manifestação de 1º de Maio convocada pela Federação Operária de são Paulo é violentamente reprimida pela Policia Militar (PM), após atrito com passeata de partido de esquerda - que se limitou a troca de palavras-de-ordem entre os manifestantes.

À manifestação, chamada pela FOSP/COB-ACAT/AIT, compareceram diversos coletivos, núcleos organizados e individualidades simpatizantes, vindos dos mais diferentes pontos da Grande São Paulo. Se iniciando na parte da manhã nos bairros periférios e a manifestação se incia com uma Concentração no Antigo Mercado de Escravos de São Paulo, na Ladeira da Memória, a partir das 11 horas.
(...)
Por volta das 12:30h a Concentração se dirigiu em Caminhada até as Escadarias do Teato Municipal. Lá se fez uma exposição de faixas, bandeiras negras e rubro-negras ao vento, massiva distribuição do MANIFESTO DE 1º DE MAIO da FOSP/COB-ACAT/AIT, Contra o Desemprego e a Precarização do Trabalho e a perda de direitos, denunciando a Farsa eleitoral e chamando o Voto Nulo Ativo, pela gestão operária direta da sociedade.
(...)
Chegamos na Sé seguidos de perto pela PM e lá realizamos mais uma manifestação e Assembléia Popular. Nesta, em que falaram vários populares, sem-teto e desempregados, foi colocado que a classe trabalhadora é uma coisa só e que tinhamos que estimular nossa organização nos locais detrabalho e moradia, de forma independente dos partidos e das centrais sindicais pelegas, para organizar uma grande greve geral contra o desemprego, a miséria e a exploração. Falações contra a mídia burguesa, o rascismo da PM e depoimentos pessoais e pelo voto nulo ativo se fizeram ouvir novamente. Nessa Assembléia Popular decidimos seguir em direção a Praça da República. Saimos da Sé em direção a República por volta das 16 horas.

Na entrada do Viaduto do Chá, em frente a sede da prefeitura, a Passeata do Movimento Libertário Brasileiro - MLB - houve um atrito com a passeata promovida pela estranha aliança entre o maoísta PRC e o trotskista PCO. A PM fez um cordão de isolamento, para "proteger" a passeata dos' partidários' dos ' punks e anarkistas' - de acordo com a oficial da Tropa de Choque em comando. Cerca de 10 minutos depois da passagem da "passeata do PCO" a passeata do MLB tentou prosseguir pelo Viaduto do Chá, sendo impedida pela PM - que mantinha o cordão de isolamento que formaram napassagem da "passeata do PCO". Como não conseguisse furar o bloqueio da PM se propos uma rota alternativa, descendo a Libero Badró e atravessando a Passarela de pedestres sobre a praça das Bandeiras. Porém a PM imediatamente ataca por trás a manifestação, de forma truculenta - pessoas foram atropeladas e foram obrigadas a ir para hospitais. A Manifestação foi desbaratada, depois de um breve enfrentamento dos manifestantes com a PM entre 17 e 17:30 hs. Foram detidas cerca de 60 pessoas, 5 companheiros foram responsabilizados e terão que responder um processo - sendo dois da Coordenação da FOSP/COB-AIT. Todo material da FOSP/COB-AIT (faixas e cartazes) foi apreendida.

Por volta das 23 horas foram libertados os últimos detidos, que foram esperados por mais de 50 companheiros que se mantiveram solidários até o fim.

1º Maio: Manifestação Anarco-sindicalista em Belgrado

Companheiros da ASI (Iniciativa Anarco-Sindicalista), secção sérvia da AIT, manifestam-se em Belgrado.
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Vídeo no Youtube:


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O presidente da Sérvia e o ministro do trabalho são expulsos da manifestação do 1º Maio, enquanto os sindicalistas burocratas acusam os anarquistas desse acto:




sexta-feira, 2 de maio de 2008

1º de Maio anarco-sindicalista em Lisboa

A partir 14h, cerca de duas dezenas pessoas concentraram-se na Praça da Figueira em Lisboa com duas faixas, distribuindo panfletos.
Às 16h fomos juntar-nos à marcha do Mayday que já descia a Rua Garrett, participando da mesma e percorrendo o Chiado, a Baixa e o Martim Moniz até ao início da Avenida Almirante Reis.




domingo, 27 de abril de 2008

A democracia desmascarada: AUMENTA A REPRESSÃO SOBRE AS LUTAS SOCIAIS

Ao mesmo tempo que se degradam as condições de vida da maioria da população, as fatias da riqueza criada através da exploração do trabalho são cada vez mais desigualmente distribuídas, cabendo a uma pequena elite de administradores e accionistas das grandes empresas e, particularmente, da banca a parte de leão. Perante esta situação de injustiça e miséria crescentes, sendo de esperar o aumento exponencial da contestação social, que já se começa a verificar, ainda que os media o queiram encobrir, o Estado reforça os seus meios de repressão, e os diversos corpos policiais agem cada vez mais dura e impunemente, controlando, vigiando e reprimindo os movimentos e as lutas emergentes.

Não nos deve espantar que os meios policiais sejam utilizados para defender a propriedade privada e os interesses dos patrões contra os dos trabalhadores. É essa a função essencial do Estado, que a morte lenta das suas políticas sociais vai deixando de novo a descoberto.

Mas o ambiente repressivo não é da exclusiva responsabilidade do Estado, vigora também nos locais de trabalho, onde a crescente precarização tornou impossível, para quem quer manter o seu ganha-pão, erguer a mínima voz de contestação. E este ambiente repressivo continuará a fortalecer-se enquanto não formos capazes de opor ao poder e à bufaria uma forte barreira de solidariedade e acção.

Só a solidariedade entre as pessoas da mesma condição social, vítimas da repressão estatal e patronal, e a prática da acção directa contra os que nos exploram e oprimem podem fazer avançar a nossa luta, a luta por uma vida melhor em liberdade.

Associação Internacional d@s Trabalhador@s -Secção Portuguesa


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Alguns casos recentes de repressão policial e judicial

- 25 de Abril de 2007 – O Corpo de Intervenção da PSP carregou sobre uma manifestação anti-autoritária contra o fascismo e o capitalismo em plena Rua do Carmo em Lisboa, com o claro objectivo de agredir o maior número de manifestantes. Onze manifestantes foram detidos e são agora acusados de “agressões e injúrias a agentes da autoridade”.

- Julho de 2007 – Várias pessoas que se manifestavam no Porto contra o corte de carreiras da STCP foram identificadas pela polícia e vieram a ser constituídas arguidas por “manifestação ilegal”.

- 17 de Janeiro de 2008 - Um sindicalista foi condenado pelo Tribunal de Oeiras a 75 dias de prisão por “manifestação ilegal”, devido à sua participação numa manifestação de trabalhadores da construtora Pereira da Costa, decidida em plenário pelos mesmos e não comunicada ao Governo Civil, em Janeiro de 2005. É a primeira pena de prisão por “manifestação ilegal” em Portugal desde o 25 de Abril de 1974.

- 8 de Fevereiro de 2008 – A PSP carregou à bastonada sobre dezenas de pessoas que protestavam contra o despejo do Grémio Lisbonense, associação cultural e recreativa situada na Baixa de Lisboa, através da ocupação da escadaria do prédio. Várias pessoas receberam tratamento hospitalar e um jovem detido foi humilhado e espancado na esquadra.

- 6 de Março de 2008 – A GNR carregou sobre um piquete dos trabalhadores da Sisáqua, empresa que explora a Estação de Tratamento de Águas Residuais de Sines, quando estes se concentravam em frente aos portões da empresa. A greve protagonizada por estes trabalhadores, que reivindicavam melhores condições de segurança no trabalho, a melhoria do meio ambiente e aumentos salariais, durava há já um mês.

- Março de 2008 - Na véspera da manifestação dos professores em Lisboa, agentes da PSP visitaram diversas escolas do país com o intuito de saber quantos professores se deslocariam à manifestação.

- Abril de 2008 – A simbólica acção do movimento Verde Eufémia contra o cultivo de organismos geneticamente modificados, realizada no Verão do ano passado, através da destruição de um hectare de uma plantação de milho transgénico em Silves, foi classificada pelas autoridades portuguesas como “acto terrorista” e incluída este mês no relatório da Europol sobre actividades “terroristas” na União Europeia.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

NOVO CÓDIGO LABORAL

Flexi-segurança? Não, que ideia, trata-se apenas de: - Simplificação... dos despedimentos
- Agilização... do horário de trabalho
- Precarização... do emprego

Com vista à próxima revisão do Código do Trabalho, o Governo nomeou há vários meses mais uma “comissão de sábios”, desta feita para elaborar o “Livro Branco das Relações Laborais”...

Tornou-se habitual o Governo nomear uma comissão de “especialistas” a fim de nos esmagar na nossa ignorância e, escudando-se nas conclusões e propostas de meia-dúzia de “conhecedores”, decidir as reformas a efectuar. Foi assim na Saúde, com o fecho, total ou parcial, de Maternidades, Urgências e Serviços de Atendimento Permanente um pouco por todo o país; foi assim com a incineração de lixos tóxicos nas cimenteiras; etc. Claro está que estes “doutores” propõem reformas... para os outros, nunca para eles próprios. É o velho sistema da separação entre governantes e governados, uns quantos a decidir e os outros a sofrerem as consequências dessas decisões: nunca se viu um administrador da Carris, por exemplo, a usar o metro ou o autocarro para se deslocar, nem um ministro da Saúde ser operado num dos hospitais públicos que tutela, nem um Governador do Banco de Portugal a apertar o cinto ou a ser alvo da moderação salarial que recomenda em nome da “economia nacional” ou da diminuição do “défice”.

O que a Comissão do Livro Branco agora propõe, embora já não se denomine “flexi-segurança”, por ser demasiado óbvio que se trataria de aumentar a “flexibilidade” sem nada acrescentar de tangível à segurança, é, claramente e como sempre, facilitar o despedimento, para o que inventou uma nova figura: a inadaptação ao posto de trabalho (avaliada, claro está, por “especialistas” no assunto), que, associada às restantes propostas de simplificação dos despedimentos, de alargamento ou diminuição dos horários de trabalho normal consoante as “necessidades” da empresa (desde que não ultrapasse... 50h semanais) e de diminuição dos prazos máximos para os contratos a prazo, coloca ainda mais os trabalhadores nas mãos dos empresários, que disporão de mais alguns meios de aumentar tranquilamente, e dentro da lei, a exploração a que os trabalhadores já estão sujeitos.

E, claro, os enormes lucros, quer das empresas públicas ou com participação estatal (GALP, EDP, CTT, CGD, etc) quer das empresas privadas, com a parte de leão para a banca e a finança em geral, continuarão inexoravelmente a aumentar, de ano em ano, com uma ou outra excepção de falência de algumas grandes empresas como tem acontecido ultimamente devido à especulação desenfreada no mercado de capitais, relacionada com o crédito à habitação nos EUA. Falências essas, de resto, que o são unicamente para os trabalhadores, que se vêem atirados para o desemprego, e nunca para os respectivos administradores ou gestores, que são geralmente “reconvertidos” noutros cargos do mesmo tipo com remunerações igualmente chorudas.

Não podemos, de modo nenhum, deixar que nos enredem em discussões de “especialistas” em relações laborais, uns defendendo umas soluções e os outros outras soluções, mas todos com o mesmo objectivo de “melhorar”, “aperfeiçoar”, “adaptar” o capitalismo de modo a perpetuá-lo e a garantir a acumulação de capital necessária à obtenção de lucros cada vez maiores e ao usufruto, por uma pequena parte da população, da situação privilegiada inerente à sua posição social.

Não nos deixemos enganar com o tão propalado “novo paradigma” do nosso tempo, no qual não seria possível garantir nenhuma espécie de segurança e de estabilidade laboral, num novo tipo de capitalismo “globalizado”. O que de facto sucede é que o capitalismo é, cada vez mais, um obstáculo à felicidade de todos e de cada um, apenas conseguindo sobreviver através da imposição de condições de vidas inumanas à grande maioria da população. No que respeita ao novo Código do Trabalho que se anuncia, a nossa única resposta possível será a recusa liminar de qualquer alteração que o Governo venha a tentar impor, sob a capa da “adequação” dos contratos de trabalho aos tempos actuais. E será bom nunca perdermos de vista que estes governantes, como, de resto, os que os precederam e os que se lhes seguirão, são meros capatazes ao serviço da banca e da finança, e que serão “adequadamente” recompensados se conseguirem aumentar ainda mais a rentabilidade dos capitais investidos, na produção ou na especulação bolsista.

Defendamos as nossas condições de vida, conquistemos novos direitos, através da auto-organização e da confrontação directa com quem directamente nos explora e oprime, sem delegarmos em ninguém a capacidade de decidir sobre aquilo que nos afecta. Defendamo-nos contra os ataques que continuarão a surgir, mas com a certeza de que, mais tarde ou mais cedo, será necessário passarmos à ofensiva e construirmos um novo tipo de sociedade.

António Mota

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Lutas sociais na Rússia

Dos nossos companheiros da KRAS (secção russa da AIT), chegaram-nos informações acerca da situação social na Rússia e das lutas sociais e libertárias que irromperam neste país, nos últimos meses.

Carestia de vida e greves na Rússia
O último ano na Rússia foi marcado por uma acentuada degradação das condições de vida, associada à inflação galopante (os preços subiram 50 a 70% entre Janeiro e Novembro de 2007). Esta degradação nas condições de vida da maioria dos trabalhadores tem levado à irrupção de diversas greves reivindicando aumentos salariais.
Segundo a KRAS, esta situação deve-se à estrutura criminosa do sistema social, político e económico da Rússia, cujo único objectivo é, através de um sistema de monopólios, providenciar a prosperidade a uma pirâmide mafiosa de novos-ricos e funcionários estatais, no topo da qual está o senhor Putin, cuja riqueza não declarada perfaz cerca de 40 biliões de dólares.
Perante este sistema mafioso, os trabalhadores que entram em greve podem esperar apenas uma brutal repressão. Uma vez que muitos dos actuais patrões são ex-oficiais do KGB, o significado da palavra “negociação” é-lhes desconhecido. Quase todas as greves dos últimos meses foram, segundo a secção russa da AIT, declaradas ilegais e alguns dirigentes sindicais foram mesmo atacados pela polícia e pelas máfias.
No dia 20 de Novembro, iniciou-se uma greve na fábrica Ford de São Petersburgo, abrangendo 1700 dos 2200 trabalhadores desta unidade, sob a reivindicação de aumentos de 30-40% (nada mais do que uma mera compensação face à elevada inflação). A fábrica foi ocupada por forças de polícia especiais chamadas “OMON”. Militantes da KRAS iniciaram uma campanha de propaganda anarquista e contra os sindicatos oficiais, apelando aos trabalhadores para que deixem de obedecer aos líderes, substituindo-os por assembleias-gerais onde se tomem todas as decisões. Isto despertou a ira destes líderes sindicais. Mas apesar de conhecerem a ineficácia dos sindicatos, os trabalhadores hesitaram em iniciar outras formas de luta mais eficazes, como a sabotagem, por temerem a repressão legal e policial.
Também pela mesma altura, em São Petersburgo, decorria uma greve dos trabalhadores portuários – iniciada a 13 de Novembro –, que paralisou o porto desta cidade e foi declarada pelos tribunais como sendo ilegal. Também aqui os companheiros da KRAS tentaram chegar directamente aos trabalhadores, ultrapassando os líderes dos sindicatos, que segundos eles, “dão listas dos seus membros aos patrões, terminam as greves antes de começarem as negociações e após veredictos dos tribunais, ensinando os trabalhadores a obedecer à lei”.

Residentes de Moscovo em luta contra condomínios de luxo
Membros e simpatizantes da KRAS têm participado activamente na luta dos habitantes de Moscovo contra a construção descontrolada de condomínios de luxo destinados às elites da sociedade russa. Os residentes estão descontentes com o facto de a construção destes condomínios acarretar frequentemente a destruição de jardins e outros espaços públicos, e de muitas vezes representar um perigo para as fundações das suas casas.
Os protestos são frequentemente acompanhados de bloqueios das ruas ou dos estaleiros de construção. A repressão por parte das autoridades não se tem feito esperar, a polícia tem recorrido a bastonadas e a disparos para o ar para afastar as pessoas. Em alguns casos foram usados membros das máfias para intimidar os manifestantes.
Alguns anarquistas foram detidos durante os protestos. A 8 de Outubro, no decurso de um protesto na Rua Chertanovskaya em Moscovo, a polícia deteve 19 pessoas que bloqueavam a rua, entre as quais 6 membros e simpatizantes da KRAS. Algumas pessoas foram brutalmente espancadas durante a detenção.

Repressão contra estudantes anarquistas de Petrozhavodsk
No início do novo semestre académico, estudantes libertários iniciaram uma campanha contra a organização estudantil oficial na Universidade de Petrozhadovsk (uma cidade no Noroeste da Federação Russa). Esta organização é um pseudo-sindicato que, longe de defender os interesses dos estudantes, está integrada na Nashi – uma organização de juventude pró-Putin financiada pelo Kremlin e conhecida por atacar fisicamente as organizações juvenis de oposição. Os anarquistas organizaram uma campanha massiva contra a Nashi, com autocolantes e panfletos, encorajarando os estudantes a boicotar a organização estudantil oficial e a participar na fundação de um “Sindicato Livre e Alternativo de Estudantes” (ASSP). Os objectivos imediatos do ASSP são a luta contra a privatização do ensino superior, contra os exames nacionais (em que a corrupção predomina) e contra a revogação das leis de isenção do serviço militar.
O boicote à organização estudantil oficial foi um sucesso, tendo as inscrições no mesmo decrescido em 70%.
A 8 de Outubro, os estudantes anti-Putin organizaram uma acção contra a celebração do aniversário de Putin, promovida pela organização estudantil oficial. Apareceram na “celebração”, empunhando cartazes e gritando slogans que ridicularizavam a figura do presidente russo e expunham o carácter ditatorial do seu regime, e acabaram por ser atacados pelos seguranças da universidade. Todos os participantes na acção conseguiram escapar, apesar de a polícia os ter procurado pelas ruas durante toda a noite.
Esta acção ganhou uma grande atenção pública e alertou o FSB (ex-KGB), que conseguiu isolar alguns estudantes e acusá-los de participação na acção. Um estudante foi raptado da sua faculdade, levado a tribunal e, sem direito a advogado, multado em 1000 rublos (30 euros – o salário, por exemplo, de um médico ou professor na Rússia é de 150 euros) por participação numa manifestação ilegal. Outros foram convidados pela polícia para “conversas informais”. Um jornalista que pretendia fazer uma reportagem sobre o Sindicato Livre e Alternativo de Estudantes foi informado de que tal tópico era “indesejável”.
A 24 de Outubro, um outro participante da acção foi levado a tribunal, acusado de participação em piquete ilegal, tendo sido condenando a pagar uma multa de 1000 rublos. A Nashi também formou um esquadrão para, com a cooperação da polícia, destruir os anúncios de uma reunião da ASSP contra a comercialização da educação.
De acordo com os companheiros russos, não há dúvida de que a repressão contra os dissidentes dentro da universidade vai continuar, da mesma forma que continuará a luta contra a comercialização da educação e contra os lacaios do sistema universitário.