segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

18 de Janeiro de 1934 - 82 anos da Greve Insurreccional contra o fascismo

O 18 de Janeiro de 1934 foi a data escolhida pelo movimento operário livre para a greve geral insurreccional destinada a impedir a construção do regime fascista de Salazar. Este movimento foi impulsionado sobretudo por militantes anarquistas e anarco-sindicalistas, organizados na Confederação Geral do Trabalho, e integrado por muitos outros operários de diversas tendências.
O objectivo desta revolta foi derrubar o regime de Oliveira Salazar e impedir a fascização da sociedade portuguesa, impedindo a aplicação do Estatuto do Trabalho Nacional, com o qual Salazar pretendia acabar com os sindicatos livres e revolucionários, transformando-os em organismos submissos perfeitamente integrados na organização corporativa do Estado Novo.
A insurreição de 18 de Janeiro de 1934 levou a greves, múltiplas sabotagens e inclusive à famosa tomada da vila da Marinha Grande por operários. A revolta não pôde triunfar, mas significou o último grande acto de resistência do movimento anarco-sindicalista organizado. Um acto de dignidade pago com prisões, torturas e deportações de centenas de militantes.
Conhecer, discutir e comemorar esta data significativa da história das lutas emancipatórias em Portugal é prestar homenagem a todas essas pessoas que arriscaram a vida pela liberdade. Significa também que nos queremos reapropriar da nossa história e memória enquanto movimento libertário, recusando activamente a longa tradição de submissão e “brandos costumes” ensinada nos livros de história e que constitui a memória oficial do Estado.
Conhecer e discutir as lutas do passado significa então também lançar as bases para a teoria e para as práticas de agora, porque a longa noite do fascismo se estendeu muito para além do 25 de Abril de 1974, na cultura e nas instituições portuguesas, inclusive nas “contestatárias”, como os sindicatos actuais que continuam a prolongar o modelo corporativo dos sindicatos nacionais.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Missão (Sorriso) Continente… Belmiro Fica Bem Contente!

Acção da AIT-SP Lisboa em Entre Campos, no supermercado continente e na estação de comboios.

Todos os anos chega a época natalícia e é sempre o mesmo teatro na sociedade portuguesa, antes com a parceria da TVI e agora da emissora pública RTP, antes sob o nome Missão Sorriso, agora Missão Continente.

Num esquema tremendamente comercial sob a máscara da caridadezinha e da ajuda às criancinhas, incentiva-se o consumidor a comprar mais e a doar uns euros para ser bom cidadão.

Porém onde fica a cidadania e consciência do detentor da 3ª maior fortuna em Portugal quando a cada ano enriquece mais à custa da exploração dos trabalhadores, e acelera a destruição do nosso planeta com o seu incentivo ao consumismo exacerbado? Porque não faz ele mesmo doação direta para as boas causas? Não é uma boa causa se não der para lucrar com ela, óbvio.

O capitalista não pode acabar com os pobrezinhos que usa para lavar periodicamente a sua imagem. Não caia nestas palhaçadas…

O Núcleo de Lisboa da AIT-SP deseja um “Bom dia” ao Continente…


quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Solidariedade com Ali e todas as vítimas do Estado e do terror religioso

Desde 13 de Novembro, a França está em "estado de emergência", durante o qual os protestos foram criminalizados e muitas pessoas foram detidas e sujeitas a prisão domiciliária. Uma deles é o nosso companheiro Ali da CNT- AIT, que foi colocado sob prisão domiciliar às 3:30 da madrugada de 28 de Novembro.

A partir da Associação Internacional dos Trabalhadores, nós denunciamos fortemente as acções do Estado. Lembramos que são diferentes estados e fanáticos religiosos que estão lutando uns contra os outros para ganhar o controlo sobre as pessoas e dividi-las. Todos nós somos potenciais vítimas. Devemos unir-nos e derrubar os tiranos - todos os existentes e todos aqueles que o desejam ser.

Abaixo o estado de emergência e viva a revolta internacional!

Secretariado da Associação Internacional dos Trabalhadores


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Solidarity with Ali and All Victims of State and Religious Terror

Since November 13, France has been in a „state of emergency”, during which protest has been criminalized and many have been arrested and subject to house arrest. One of them is our comrade Ali from the CNT-AlT, who was put under house arrest at 3:30 AM on November 28.

From the lWA, we roundly denounce the actions of the state. We remind that it is different states and religious zealots who are battling against each other to gain control over people and divide them. All of us are potential victims. We must unite and bring down the tyrants – all those existing and all those who wish to be.

Down with the state of emergency and long live international insurgency!

IWA's secretariat

http://iwa-ait.org/content/solidarity-ali-and-all-victims-state-and-religious-terror

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

PEDAGOGIA LIBERTÁRIA, EDUCAÇÃO POPULAR E ANARQUISMO*

Ao abordar  o tema PEDAGOGIA (ou PEDAGOGIAS) LIBERTÁRIA não podemos  deixar de o ligar à sua génese ANARQUISTA e à figura de Ferrer Guardia e à sua ligação ao movimento anarco-sindicalista do  início do século 20.  Mais do que qualquer outra, a ideia de uma escola moderna, e de  uma educação baseada no racionalismo e na desmontagem de todas as superstições religiosas sociais e políticas, a iniciativa de Ferrer  Guardia ia a par do desenvolvimento de um proletariado combativo e organizado contra a exploração capitalista e a opressão do Estado – e tinha como alvo a educação integral das crianças filhas do proletariado, fora das mordaças das igrejas e dos poderes do Estado e do Capital. E foi por isso, no seguimento dos grandes levantamentos operários e populares, sobretudo na Catalunha, que Ferrer Guardia foi condenado à morte e fuzilado, aliás, no mesmo ano (1906) em que é criada a anarco-sindicalista CNT – Confederación Nacional del  Trabajo. À monarquia  espanhola e aos privilegiados latifundiários e senhores da indústria, não convinha uma escola que ensinasse aos proletários e seus filhos, que não é no “Céu”, depois de mortos, que há que alcançar qualquer “paraíso” mas sim aqui na Terra, onde as desigualdades, as opressões , as injustiças existem…-e que há que lhes pôr fim.

Com efeito, nesse período, não apenas em Espanha mas em muitos outros países –e em Portugal também – o desenvolvimento do movimento anarquista e das organizações operárias, como os sindicatos revolucionários (UON primeiro e CGT mais tarde), associações populares, cooperativas, ia a par da criação de escolas operárias nesses organismos de base, de círculos de estudos sociais, de grupos de alfabetização, dos quais, os principais centros industriais  como o Porto, Lisboa, Setúbal , foram férteis. Nesse mesmo período, em Inglaterra foi criada a “Pleb´s League”, a Liga dos Plebeus, com o objectivo expresso de cultivar e instruir o proletariado inglês daquele tempo, a braços com a exploração infame a que a “democrática” burguesia britânica o submetia, com jornadas de trabalho de sol a sol, com trabalho infantil, com aviltantes e terríveis condições de trabalho…

A par do desenvolvimento das lutas sociais foram-se sempre desenvolvendo entre os meios laborais experiências de (auto-)educação popular, desde as experiências da escola de Goulai-Poulai, na Ucrânia, animada por Tolstoi em meados do século 19, à Alemanha dos anos 20 com as Comunas Infantis em Berlim e Hamburgo, ligadas ao desenvolvimento da FAU-D (Freie Arbeiter  Union – Deutschland , secção alemã da AIT ) como de resto, na mesma época, em Inglaterra, na Suiça, na Itália, na França, na Áustria e na Holanda, e nada disso está separado de movimentos operários – que tentam contrabalançar o crescendo nacionalista, fascista e nazi.

Seguir-se-ão as experiências  de redes de educação popular , durante a ocupação nazi da França, animadas pelo autodidata Freinet, e mais tarde, a alfabetização e educação popular nas favelas brasileiras, impulsionadas através das ideias da Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire, às escolas dos “assentos” dos Sem Terra, nas ocupações de terras do Brasil e nas ocupações no México do ZPLN e dos Magonistas.
Algumas destas experiências decerto que escapam por vezes à classificação de LIBERTÁRIAS  no sentido ideológico do termo, mas abrem brechas na chamada “educação institucional”- sempre tendente a formatar crianças e adultos nos “valores” dominantes ( a competição, o afastamento da lutas sociais, o egoísmo social, etc.).

Algo profundamente ligado ao conceito de EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA é o AUTO-DIDATISMO organizado,  e as várias experiências surgidas na Suécia  (O. Olssen) e na Alemanha após a II Guerra Mundial e durante os anos 60 e 80: os Círculos de Estudos, organizados pelas próprias pessoas interessadas num dado tema e que tanto serviriam para apreender  em pequeno grupo uma qualquer técnica como para conhecer uma qualquer obra literária. Um seu desenvolvimento na  Berlim “alternativa” dos anos 80  foram também as “Bolsas de Aprendizagem” (Lernen Boerse),  orientadas segundo uma “velha” máxima  de B.Brecht, que dizia que “se o que não sabe é um ignorante, o que sabe e não passa aos demais aquilo que sabe é um criminoso”…

Muitos outros exemplos se poderão dar ainda de movimentos activos de educação e pedagogia libertária e educação popular no mundo inteiro. Também hoje, aqui e agora , frente à “crise” que banqueiros e governantes impõem que seja a maior parte da população pauperizada a pagar, frente ao aumento do ”intox” oficial (consome, consome, “empreendedorismo”,  lixa-o-parceiro-do-lado-para-
teres suce$$o, etc, etc…) nos tentam a todas e todos fazer aceitar as soluções vindas do alto da burra ou do alto do Estado.  E enquanto nos preocupamos com que nós e os nossos filhos possamos ter o último modelo de “té-lé-lé”, ELE$, os de cima e os de sempre, vão-nos roubando o tempo e a vida! É tempo de os recuperarmos! É tempo de ler mais e ver menos TV!  
 
É tempo de criarmos entre nós CIRCULOS DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS, GRUPOS DE AR LIVRE E AVENTURA COM OS MAIS NOVOS – a par de todas as iniciativas populares e laborais com que possamos “meter o pauzinho nas engrenagens que nos apertam”…

Por nós, tentamos dar alguma ajuda nesse sentido.
 
*Texto de Zé P. (militante anarco-sindicalista)
Dez.2015

Círculo de Estudos Sociais Libertários – c/ Sindicato de Ofícios Vários da A.I.T.-SP, Porto
Contactos: <sovaitporto@gmail.com>       967694816

Grupos de Ar livre e Aventura (eco-escotismo livre) da Terra Viva!

Biblioteca/infoteca Social e Ecológica- c/TERRA VIVA! Associação de Ecologia Social
Contactos:  <terraviva@aeiou.pt>        223324001  961449268                                                                 n/blogue :   terravivaporto.blogspot.com
 
 

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Solidariedade com luta na Eslováquia contra a ONG OZ Drive

Luta contra a OZ Dive, uma ONG de Bratislava, que contratou Michal R. durante quase um ano e meio como falso trabalhador independente, não tendo feito assim os devidos descontos para a segurança social e saúde e ainda lhe ficando a dever 950€ quando este companheiro decidiu deixar o trabalho.

A Priama akcia, secção eslovaca da Associação Internacional dos Trabalhadores, está a apoiar Michal R., tendo já recebido ameaças por parte do advogado da ONG.

É esta a falsidade que nos rodeia: ONGs e outras instituições, como muitas IPSS em Portugal, que apregoam fazer um trabalho de "ajuda ao próximo" mas nem sequer cumprem com as suas obrigações contratuais e maltratam os seus funcionários!

Solidariedade!

Envio de e-mails de protesto:

E-mail: divemaky@divemaky.sk
com BCC para: ba@priamaakcia.sk

Sugestão de texto e envio de faxes aqui:
http://www.priamaakcia.sk/index.php?action=soliMail&soliMail_id=61&lan=en

Informação em Inglês e Castelhano aqui: http://www.iwa-ait.org/


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Solidariedade com a Casa Okupada de Setúbal Autogestionada

Retirado de: https://cosa2015blog.wordpress.com

3º Comunicado

"Aproxima-se a data de entrega da contestação ao processo de despejo da C.O.S.A.

Já escolhemos o advogado que nos defenderá  e traçamos um esboço da nossa estratégia legal. Continua em aberto a possibilidade de utilizarmos diversas ferramentas  na resistência e defesa da nossa ocupação.

Relativamente à recolha de fundos, recebemos várias contribuições (cerca de 1200€) o que supera o valor que precisávamos para o arranque da defesa legal.  No entanto, sabemos já que o processo terá vários outros custos e por isso todas as contribuições são muito bem-vindas.

Em Lisboa, no dia 21 de Novembro na DisGraça e no dia 3 de Dezembro na R.D.A. haverá  jantar de apoio à C.O.S.A.

Ao longo deste mês chegaram inúmeras mensagens de apoio e solidariedade, vindas um pouco de todo o mundo. Elas tanto nos emocionaram como revelaram o impacto que teve a COSA e a sua história, bem como os laços que se criaram durante estes anos.

Um pouco por todo Portugal, os benefits do Centro de Cultura Libertária em Almada e os da  DisGraça.
Da Grécia, palavras fortes de apoio e uma faixa solidária no Politécnico de Atenas.

De Berna, Suiça, de onde a Solidariedade nos chegou com o sabor delicioso de noites  de crepes.

De Kharkov, Ucrânia, mesmo com a guerra ali ao lado realizou-se uma concentração de apoio em frente da embaixada Portuguesa.

Do Uruguai de onde nos chega uma carta de amor à Resistência e guerra ao estado e ao capital.
Da Holanda, Espanha, França, Itália…

Sentimos o vosso calor compas,  sabemos que esta é mais uma luta em que caminhamos juntos."

16 de Novembro de 2015


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

(Paris) Anarquistas turcos solidários na luta contra o ISIS*

*Retirado daqui: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2015/11/15/paris-anarquistas-turcos-solidarios-na-luta-contra-o-isis/

"A organização anarquista turca DAF foi uma das primeiras a manifestar a solidariedade para com os curdos na defesa de Kobane e tem dado testemunho físico da sua presença ao lado dos combatentes curdos contra o Estado Islâmico (ISIS), cujas acções de terror os seus militantes conhecem bem. Agora divulgou um comunicado sobre o massacre de Paris, também levado a cabo pelo ISIS, um movimento terrorista, totalitário, que juntamente com o Estado turco representa uma das maiores ameaças ao desenvolvimento do confederalismo libertário no Curdistão e cujas acções servem de pretexto para o reforço das leis securitárias seja no Médio Oriente, seja no resto do mundo, Europa incluída."



Comunicado da Acção Anarquista Revolucionária (DAF) sobre o massacre em Paris

A 13 de Novembro mais de 129 pessoas perderam a vida e dezenas ficaram feridas em 7 locais diferentes de Paris em consequência de ataques coordenados pelo ISIS com bombas e armas de fogo. O ISIS assassino continua com os seus assassinatos fora das regiões do Médio Oriente e da Anatólia. O massacre que teve lugar em Paris mostra claramente que o terror do ISIS não conhece limites. Sentimos profundamente o massacre de Paris e partilhamos a sua dor. Vivemos e continuamos a viver os ataques do ISIS apoiados pelo Estado. Do Senegal a Kobane, de Pirsus (Suruç) a Ankara, temos perdido muitos companheiros e amigos. Estamos conscientes do facto de que os massacres têm por objectivo criar o medo, a desconfiança e a solidão nas nossas vidas. A nossa dor é grande e aumenta a cada dia que passa. Nestes momentos temos que fazer crescer a solidariedade contra os assassinos que nos querem submergir no medo, na solidão e no isolamento.

Vemos os movimentos simultâneos do Estado francês e de outros estados com o objectivo de conduzirem o processo. Sabemos que estas mesmas estratégias desenvolvem-se na nossa região sob o nome de “luta contra o terror”. Neste ambiente de desconfiança, as pessoas adquirem uma psicologia do pânico que está dirigida pelos dispositivos ideológicos do Estado: a opressão do Estado contra os revolucionários e a política estatal que restringem a liberdade dos oprimidos será, assim, politicamente legitimada; e o discurso das políticas racistas aumentará. Os estados usam estes períodos extraordinários para os seus interesses políticos, económicos e sociais.

Estamos conscientes da situação em que a população francesa vive. Sabemos a dificuldade do exercício de pôr de lado a dor pela perda das vitimas e, por outro lado, de lutar contra as mobilizações fascistas no seio da sociedade, criadas pelo Estado. Sublinhamos que, mesmo com estas dificuldades, a luta deve ser contra o medo, o Estado e o fascismo.

A dor que estão a viver é a nossa dor. A raiva que sentem é a nossa raiva, a sua luta é a nossa luta!

Devrimci Anarşist Faaliyet-DAF (Revolutionary Anarchist Action)

sábado, 31 de outubro de 2015

Comunicado da CNT da Catalunha sobre o novo ataque ao movimento libertário



Esta manhã tivemos a notícia lamentável de que o Estado, por meio da audiência Nacional e dos Mossos d’Esquadra, voltou a perpetrar uma série de buscas a locais e apartamentos, bem como à detenção de activistas libertários em Barcelona e Manresa, um dos quais – pelo menos, de que temos provas até agora – é filiado nesta organização.

Uma actuação que não podemos qualificar de outra forma senão de repressão ao movimento libertário, dando continuidade a uma estratégia jurídica e policial que já resultou em várias prisões de anarquistas nos últimos meses. Estamos a falar da operação Pandora e da operação Piñata.
Do Secretariado Permanente do Comité Regional da Catalunha e Baleares da CNT-AIT, condenamos a actuação do aparelho repressivo do Estado e solidarizamo-nos com todos os presos, bem como com os seus familiares e amigos. Apelamos à participação de toda a população nas acções de apoio que venham a acontecer e a continuar a reforçar a luta social, através da solidariedade, da ajuda mútua e da auto-organização, porque essa é a melhor arma contra os inimigos do povo organizado.

Secretariado Permanente
Comité Regional da CNT Catalunya i Balears


Tradução do Portal Anarquista: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2015/10/28/catalunha-cnt-solidaria-com-os-9-anarquistas-presos-esta-manha-em-barcelona-e-manresa/

domingo, 11 de outubro de 2015

Porque é que os anarquistas não votam*


Em tempo de eleições, mostram-se inevitavelmente dois tipos de pessoas com pontos de vista opostos: os que se abstêm e os que votam. Tanto uns como os outros têm argumentos para as suas posições. Aquele que não vota afirma que o voto é inútil e incapaz de causar mudança real. O que vota afirma que votar é um dever de todos os cidadãos e que é devido à abstenção que não existe mudança. Dentro do grupo dos que não votam, estão os anarquistas.

Mas porque é que os anarquistas não votam, afinal? "Certamente será porque o único desejo deles é causar o caos e a desordem. Eles não têm posições políticas para além disso!", dirá alguém. "Não votam, porque são egoístas e querem uma sociedade onde é cada um por si", dirá outro. Ambas as hipóteses estão muito longe da verdade.

Os anarquistas não votam, porque desejam uma sociedade que, através dos mecanismos democráticos actualmente existentes, é inalcançável. Pura e simplesmente, não existe qualquer partido que possa, através do poder estatal, construir uma sociedade sem estado nem capital. Isto confirma-se, porque, primeiro que tudo, dentro de uma democracia capitalista é impossível construir-se uma sociedade sem capital, sem que haja uma revolução, na qual os trabalhadores tomem controlo dos locais de trabalho e dos bairros. Qualquer governo que tentasse construir uma sociedade socialista (com este termo entende-se uma sociedade sem classes) dentro de uma democracia burguesa enfrentaria imensos obstáculos, e, caso conseguisse ultrapassá-los, teria depois de entregar o poder ao povo e auto-extinguir-se. No entanto, o que a história nos mostra é que os governos se recusam sempre a fazer isso, preferindo manter-se na sua posição de autoridade, e utilizá-la para benefício próprio.

Mas agora haverá alguém a dizer: "Eu bem sabia! Estes anarquistas são todos uns sonhadores utópicos! Todas as suas propostas são de coisas impossíveis ou inalcançáveis." Isto, novamente, é falso. A proposta de uma sociedade anarquista, sem classes e organizada pelo povo em conselhos e assembleias, é perfeitamente realizável. Os trabalhadores têm a força necessária para mudar tudo, e construir uma sociedade justa, livre e boa, mas esta força depende da sua organização e união. A sociedade que queremos não pode ser alcançada pelo voto, mas pode ser alcançada pelo desejo e acção de uma classe trabalhadora unida e ciente da sua força comum.

"Isso é tudo muito bom, mas parece-me que estamos muito longe de uma revolução desse género. Tendo isso visto, enquanto a revolução não vem, não faria sentido os anarquistas votarem no partido cujas posições mais se aproximem às suas?", perguntará alguém. À primeira, a resposta a isto será: sim, faz sentido. No entanto, reflectindo mais acerca do assunto, verifica-se que a conclusão permanece sendo: o voto é inútil. Existem vários factores que fazem com que este seja o caso. O primeiro desses factores é o facto de as campanhas eleitorais dos grandes partidos serem financiadas pelos grandes empresários e banqueiros - aqueles a que chamamos capitalistas ou burgueses. Estes partidos são grandes devido a esse financiamento, que os torna conhecidos e serve para aumentar a sua reputação com a população do país, e apenas são financiados porque têm posições que agradam aos capitalistas.

Existe uma relação de simbiose entre a classe política e a classe capitalista. A maior parte dos políticos, de facto, vem de famílias capitalistas. O grande empresário financia o político e ajuda-o a ganhar as eleições, e o político ajuda o empresário passando as leis que ele quer, e recapitalizando a sua empresa com largas somas monetárias quando essa declara falência. O capitalista não irá financiar ninguém que não o prometer ajudar. Por esse motivo, os partidos que não interessam à burguesia quase nunca vencem eleições. Muitos são, em vez disso, desconhecidos à vasta maioria dos votantes, e as suas posições raramente são vistas. Outros, têm uma base sólida de votantes, mas nunca passa de um determinado número, pois os meios de comunicação, que pertencem aos capitalistas, passam propaganda contra esses partidos, difamando-os ou tentando criar medo nas mentes das pessoas. No caso de um partido que não interesse à burguesia ganhar as eleições, depressa surgirão os grandes empresários, prometendo a esses políticos grandes riquezas em troca da sua obediência. Foi isso o que sucedeu com o Syriza da Grécia, que, verdade seja dita, nem sequer era muito radical. Os mesmos políticos que queriam, supostamente, renegociar a dívida de modo a que o pagamento dessa não se baseasse na miséria do trabalhador grego, mal chegaram às mesas de negociações, mudaram "misteriosamente" as suas posições, e acabaram por aceitar TODAS as exigências da Troika. As suas alegações de que simplesmente não era possível a renegociação não passam de mentiras para cobrir a sua colaboração com aqueles contra quem prometeram lutar.

No nosso caso português, votar tanto no PS como no PSD/CDS não passa de uma perpetuação das mesmas políticas neo-liberais que nos governam - as políticas que já tanto nos tiraram, e que nos tencionam tirar ainda mais, para alimentar a ganância infindável do capital. Directamente antes das eleições vê-se sempre o mesmo: o actual governo age como se fosse afinal muito simpático, enquanto o partido da oposição age como se fosse o total oposto daquilo que o outro foi, e daquilo que esse mesmo já foi, antes de ter sido retirado do poder pelo outro. É um ciclo. Cada vez que um desses vence, o ciclo continua. "Mas então e os outros partidos?", exige alguém saber.

O BE é composto por uma camada da classe média que deseja uma espécie de social-democracia com ênfase especial em problemas sociais. Na realidade, se este partido fosse para o poder, faria exactamente o mesmo que o seu partido irmão grego, o Syriza, fez: ocupou o seu lugar no ciclo, e continuou as políticas dos grandes empresários e banqueiros.

O LIVRE, que promete um sistema democrático mais representativo, apenas faria continuar o ciclo, só que com primárias abertas. Já vimos o quão fácil é para o capitalista comprar alguém. Mesmo que o LIVRE tentasse implementar uma espécie de democracia directa, a existência dessa não seria permitida pelos capitalistas, que fariam tudo o que fosse necessário para impedir essa implementação. A coligação AGIR não passa de um grupo de políticos oportunistas que apenas desejam enriquecer-se a si mesmos.
O obscuro PNR ocuparia o seu lugar no ciclo, continuando as políticas dos burgueses, mas implementando políticas sociais da direita reaccionária.

Quanto à CDU, existem duas hipóteses: ou o partido não passará da actual ideologia social-democrata que propagandeia, ou agirá mesmo como um partido marxista-leninista. No primeiro caso, a CDU apenas ocuparia o seu lugar no ciclo, como fez o Syriza, só que com vocabulário e desculpas diferentes. No segundo caso, que é altamente improvável, a classe capitalista faria tudo para o impedir de governar, incluindo provocar uma guerra civil, ou provocar uma invasão por uma certa potência estrangeira bem conhecida por invadir países com governos marxistas-leninistas. Mesmo que o partido e os seus apoiantes conseguissem vencer essas duas ameaças (com o custo de muitas vidas e da devastação do país), o que acabaria por suceder seria o que sucedeu a todos os países que já estiveram nesta posição (a lista de exemplos é longa): a classe política iria solidificar o seu controlo, criar um regime ditatorial onde a riqueza flua em direcção dos altos oficiais do partido, acabar com todos os esforços de criar uma sociedade verdadeiramente comunista e, no final, deixar o capitalismo lentamente entrar. Assim, vemos que, independentemente de quem votarmos, o capital é quem vencerá.

"Então mas isso não quer dizer que estamos condenados? Não quer dizer que nunca irá haver mudança a sério? Então afinal o que os anarquistas dizem é que nos devemos resignar e submeter-nos voluntariamente e sem resistência à miséria que nos é imposta?" Não. Nunca estaremos condenados enquanto haja ar nos nossos pulmões e esperança nos nossos corações! "Mas então como é que fazemos?".

Organizamo-nos! Aprendamos que vivemos num sistema onde a classe capitalista vive da nossa miséria: é essa a natureza do capitalismo. Aprendamos que sempre será assim enquanto existam classes - mesmo num sistema social-democrata existe exploração, e esse estado social apenas existirá temporariamente para acalmar os ânimos dos trabalhadores, e que após essa tarefa ser cumprida, irá haver sempre uma transição para o neo-liberalismo: o sistema ideal da classe capitalista. E aprendamos sobretudo,que a nossa força está na união e na solidariedade. Se queremos viver bem, e dar um bom futuro aos nossos filhos e netos, temos de nos organizar agora: encontrando outras pessoas descontentes, aprendendo, ensinando, formando grupos, assembleias de bairro, sindicatos, associações de classe, colectivos de estudantes e lutando contra os avanços e investidas do capital contra nós, preparando as condições para a revolução onde iremos mudar a sociedade pela base.

Não votamos porque não temos fé nos políticos. Temos fé em nós mesmos, e na nossa força.

João Morais
*Artigo de opinião de um membro do Núcleo de Lisboa da AIT-SP

sábado, 26 de setembro de 2015

Mostra de Edições Subversivas em Lisboa

Já começou a Mostra de Edições Subversivas em Lisboa.
O Núcleo de Lisboa da AIT-SP está presente com uma banca. Apareçam!

Grupo Excursionista e Recreativo Os Amigos do Minho, no número 244 da Rua do Benformoso
(perto do metro do Martim Moniz e Intendente)

Mais informações e programa: http://www.mes2015.tk/


quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Panfleto de resposta ao IPPI e à Câmara de Odivelas

https://files.acrobat.com/a/preview/b3b773c2-646f-4a07-b834-dcdb935a4f73

Ao Instituto Português de Pedagogia Infantil e à Câmara Municipal de Odivelas

O Instituto Português de Pedagogia Infantil (IPPI), uma Instituição Particular de Solidariedade Social na Póvoa de Santo Adrião, contratou a recibos verdes cerca de 40 professores para as Actividades Extra-curriculares de escolas de 1º Ciclo e jardins de infância de Odivelas para o passado ano lectivo, num acordo com a Câmara Municipal.

Apesar de termos consciência de que trabalhar por um salário é uma forma de exploração, havendo sempre quem enriqueça com o fruto do nosso trabalho, a verdade é que é melhor ter um mísero contrato do que estar numa situação de recibos verdes em que a qualquer momento se pode ser despedido e ainda é o trabalhador a ter de fazer por si os descontos para a segurança social.

Não nos surpreende que uma instituição de “solidariedade social” explore os seus funcionários e se vingue de quem luta por melhores condições. Muito menos nos admira a atitude da Câmara de Odivelas que ainda teve a lata de na sua resposta afirmar que tudo estava a ser cumprido dentro da legalidade e se vangloriar por pagar antecipadamente ao IPPI para que não houvesse atrasos no pagamento dos salários dos professores, como se não fosse uma obrigação pagar os ordenados a horas!

Após a denúncia da situação, a Autoridade para as Condições do Trabalho fez uma inspecção à instituição e obrigou a mesma a contactar todos os professores para lhes oferecer um contrato de trabalho caso assim o desejassem.

Legalidades à parte, pois neste sistema as leis protegem sempre os mais poderosos, o que interessou neste processo é que havia professores a exigir algo tão simples como um contrato de trabalho e isso simplesmente tinha de ser conseguido.

No próximo ano lectivo estaremos novamente atentos ao que se passa por essas bandas! Claro que sabemos que o Estado e as grandes empresas são a minoria que manda, que explora, vigia, persegue, aprisiona… Mas também sabemos que às vezes têm medo e fazem bem. Afinal, somos muitos mais. E temos muito pouco a perder…


Unidos e auto-organizados, nós damos-lhes a crise!

Associação Internacional dos Trabalhadores – Secção Portuguesa

Núcleo de Lisboa

20/08/2015

terça-feira, 21 de julho de 2015

OS DEUSES, O MINISTRO, AS CHEFIAS E INCLUSIVE ALGUNS TÉCNICOS DA SEGURANÇA SOCIAL DEVEM ESTAR LOUCOS!...

É voz corrente que no seu afã de vir a privatizar os serviços da Segurança Social, muita coisa tem sido feita e desfeita nestes serviços para justificar a sua possível entrega ás IPSS.s…(as tais “instituições privadas de solidariedade social”, como as “Misericórdias”, etc…). Também é voz corrente entre muitos dos utentes que, muito do pessoal que nestes serviços trabalha tem vivido sob a ameaça de despedimentos travestidos de “reclassificações”…
Porém tudo chegou a um ponto que toca o absurdo e já não é possível do ponto de vista dos utentes saber muito bem com o que contar em muitos dos serviços desta instituição. Eis um caso paradigmático:

1-Em Janeiro deste ano de 2015, dirigi-me, como activista social voluntário, em apoio do trabalhador e “cidadão europeu” desempregado, Klaus Conrad (que não fala ainda português) aos serviços da Segurança Social na Rua do Rosário no Porto para que ele pudesse requerer o chamado Rendimento Social de Inserção;

2- Em Outubro de 2014, o Klaus, que pernoita desde 2012 no Albergue Nocturno do Porto, já tinha adquirido: a) a inscrição no serviço de Finanças da sua área de “residência” –pelo qual teve que pagar c/ajuda de amigos, 10,20 € ; b) da Junta de Freguesia local o atestado de residência. Também teve na mesma altura que se inscrever no Instituto de Emprego (IEFP);

3-Com os documentos exigidos na Segurança Social para anexar ao requerimento do RSI, foi-lhe ainda exigido, em Fevereiro, que obtivesse na Câmara Municipal do Porto um outro, uma “certidão do registo do direito de residência em Portugal há pelo menos um ano”. Mas apesar de várias vezes solicitado na C.M.do Porto este documento, inclusive com apresentação de cópias da legislação em vigor sobre o assunto endereçadas pela Segurança Social, a Câmara recusou passa-lo alegando “não ter competências para tal”;

4- Deslocámo-nos então ao CNAI (Comissão Nacional de Apoio ao Imigrante) do Porto que nos indicaram que sim, que teria de ser a Câmara Municipal a passar ao Klaus esse documento;

5-Fartos de andar da Segurança Social para a Câmara e desta para a Segurança Social, com mais um ou outro percalço pelo caminho, registámos nos livros de reclamações dessas duas entidades o protesto pela falta de “articulação inter-institucional” entre elas (Fevereiro de 2015);

6-Em Abril a Câmara Municipal do Porto passa ao Klaus a “DECLARAÇÂO”(entregue posteriormente na Segurança Social) de que não pode emitir o documento solicitado - apesar de ter registado o documento emitido pela Associação dos Albergues Nocturnos do Porto, referindo que “este cidadão da União Europeia reside desde 13/03/2012 nas suas instalações”(…);

7-Em 12 de Maio de 2015 a Segurança Social informa o Klaus de que “o requerimento (para o RSI)”será indeferido se no prazo de 10 dias úteis (…)não der entrada nestes serviços resposta por escrito em que constem elementos que possam impedir o indeferimento, juntando meios de prova “(…);

Despedimento Injusto na Cruz Vermelha