Todos sabemos que a precariedade laboral, o desemprego e os salários de miséria não são um problema só dos jovens licenciados, mas da grande maioria dos trabalhadores. Portanto, reivindicar trabalho estável e salários dignos apenas para quem é jovem e tem formação universitária não poderá passar de uma piada de mau-gosto.
Quando falamos de precariedade estamos a falar de grande maioria da população: trabalhadores contratados ou não, desempregados, reformados, jovens à procura de um modo de vida e sem-abrigo, sejam eles portugueses ou imigrantes.
A percentagem de trabalhadores precarizados pode ser estimada entre 40 e 50% da população total, se contarmos com os trabalhadores “contratados” através de empresas de trabalho temporário, os desempregados, os sub-empregados (trabalho parcial), os que estão sujeitos a formas encapotadas de desemprego (“empregados” em acções de formação, com reformas antecipadas, vítimas de rescisões por “acordo mútuo”, etc.) e ainda os chamados trabalhadores ilegais. Segundo dados oficiais, mais de um terço dos trabalhadores por conta de outrem em Portugal recebiam em 2010 menos de 600 euros mensais, não chegando o salário médio aos 800 euros.





