
segunda-feira, 22 de junho de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Massacre no Perú
Depois da assinatura do Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos, o governo do Perú aprovou em 2008 várias leis que facilitam a implementação de companhias petrolíferas, de gás, mineiras, turísticas, madeireiras, entre outras, em cerca de 60% das terras da Amazónia, para explorarem livremente os seus recursos. São exemplos destas empresas, a Perenco (França), a Petrobas (Brasil), a BPZ Energy (Estados Unidos), a Repsol (Espanha), etc.As comunidades indígenas revoltaram-se de imediato contra estas leis que não só conduzirão à expropriação das suas terras como à própria destruição da Amazónia e desde Abril deste ano que os protestos se intensificaram, com o bloqueio pelas populações de alguns pontos estratégicos: diversas estradas, um porto fluvial, um pequeno aeródromo, etc. A 5 de Junho, durante um desses bloqueios, numa estrada da cidade de Bagua, a Norte do Perú, as tropas e polícias peruanas, com o aval de Alan García, presidente do país, atacaram violentamente os manifestantes, por terra e por ar. Desta repressão feroz do Estado, resultaram mais de 50 mortos, cerca de 150 feridos e 61 pessoas desaparecidas. As fotos destes acontecimentos revelam-nos um autêntico massacre, com corpos torturados, nus, com ferimentos de balas por armas de fogo ou queimaduras. Existem vários relatos de que as forças policiais nem sequer permitiram que as ambulâncias passassem para auxiliar os feridos durante longas horas. Há também o registo de cerca de 133 pessoas detidas, muitas delas sem qualquer acusação formal, sem entenderem verdadeiramente o que se passa porque não compreendem a língua em que lhes falam e sofrendo ainda represálias na prisão.
A repressão perpetuada pelo governo Peruano é a resposta normal de qualquer Estado face a quem se rebela contra o seu poder. Os interesses capitalistas das multinacionais que se querem instalar na Amazónia estão acima das próprias leis peruanas, pois o Estado não se coíbe de violar os seus tratados internacionais – que estabelecem a consulta prévia aos povos da Amazónia, antes de qualquer acção nos seus territórios – utilizando a “economia de mercado” ou o “desenvolvimento económico”, como justificações de todas as suas tiranias, suprimindo qualquer revolta popular.
As populações da Amazónia peruana, habituadas há muitos anos à perseguição estatal, não cruzaram os braços e continuam a lutar pelas suas terras, pela sua cultura e forma de vida. Incendiaram vários edifícios do Estado, sequestraram alguns agentes da polícia e convocaram uma greve nacional por tempo indefinido que está a ter uma grande adesão, com a paralisação de imensos sectores da economia. Houve mais feridos e algumas detenções nos vários protestos que se sucederam em diferentes regiões peruanas, e as comunidades indígenas apelam à solidariedade internacional. Porque a sua luta é também a nossa luta, comecemos desde já a mostrar a nossa solidariedade!
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Federação de Estudantes Libertárixs
Panfleto de apresentação em PDF:http://www.fel-web.org/portugal/panfleto-presenta%C3%A7%C3%A3o.pdf
Site:
http://www.fel-web.org/
A FEL é composta por pessoas que estão organizadas em grupos duma forma livre e estes têm um funcionamento autónomo. Nestes grupos, as decisões são tomadas na assembleia, que é o mais alto órgão decisório de cada grupo. Tanto nos diferentes grupos como a nível federal, as decisões são tomadas por consenso. Deste modo, asseguramos que todas as opiniões e posições são apreciadas e valorizadas de igual modo, e afastamo-nos da politiquice e das lutas internas grupusculares. Temos também de garantir que as decisões de um grupo, ou da federação, são apoiadas por todxs xs envolvidxs.
Os indivíduos que compõem os diferentes grupos que integram a FEL são partidários das ideias anarquistas e comprometem-se a divulgá-las. Além disso, marcam o seu posicionamento contra qualquer opressão de tipo político, económico, cultural, sexual, racial ou militar, ou seja, são totalmente contra o autoritarismo exercido por uma pessoa contra outra, independentemente da área onde ele se manifesta.
Como organização completamente independente, que é a FEL, não aceitamos nenhuma subvenção, venha ela de onde vier. Praticamos a auto-gestão, isto é, os meios materiais e financeiros de que dispomos provêm de contribuições dadas pelos indivíduos que integram cada grupo e/ou de actividades organizadas para os obter, tais como concertos, refeições, distribuição de materiais, etc.
A FEL fixou algumas metas para avançar, passo a passo, na conquista de uma sociedade autogestionária, com base no apoio mútuo, sem necessidade de Estados:
• Incentivar entre xs alunxs a auto-organização autónoma e horizontal.
• Criar espaços de debate e reflexão, tanto nas escolas como fora delas.
• Partindo de uma crítica radical do actual sistema de educação e suas futuras reformas, que condenam o indivíduo à satisfação das necessidades dos sistemas opressores, propomos como alternativa um modelo de aprendizagem anti-autoritário que facilite a construção de um conhecimento integral. Entendemos que este tipo de aprendizagem é uma ferramenta revolucionária não doutrinária, que nos fará avançar no caminho da liberdade.
• Incentivar a abstenção activa na eleição dos órgãos de “governo” das universidades, já que consideramos necessários outros meios de participação reais, horizontais e directos, pois pensamos que as eleições são uma falsa ferramenta de participação, que tem exclusivamente como fim a legitimação do sistema.
• A FEL declara-se anti-praxe. Pensamos que a hierarquia e o controle nunca podem ser o caminho para a formação de pessoas livres e conscientes. Que o único caminho para a liberdade é a prática sem limites desta e nunca a humilhação e o dirigismo. É por isso que temos a intenção de trabalhar contra a praxe até ao seu desaparecimento natural, pois não há nada que a justifique.
• Estabelecer laços entre estudantes libertários para a troca de informações, ideias e experiências, e para nos apoiarmos mutuamente.
• A FEL é contra todo o dogmatismo ideológico, aberta ao debate interno e a novas propostas, já que considera necessária a crítica construtiva para evoluir. Somos conscientes de que não existe uma poção mágica, e que só a prática da liberdade nos fará livres.
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quinta-feira, 11 de junho de 2009
Repressão policial e ataques neonazis na Sérvia
Através da ASI (Iniciativa Anarco-Sindicalista, secção sérvia da AIT), tivemos conhecimento da detenção de companheiros anarquistas e anarco-sindicalistas em protestos contra a visita de Joseph Biden, vice-presidente dos EUA, a Belgrado, em Maio, e de um ataque neonazi contra companheiros antifascistas em Belgrado no dia 9 de Junho.
Para dar conhecimento destes acontecimentos, reproduzimos um artigo sobre as detenções de Maio e de seguida uma tradução de um comunicado da Iniciativa Antifascista de Belgrado sobre os ataques neonazis.
Site da ASI: http://inicijativa.org/tiki/tiki-view_articles.php
Anarco-sindicalistas sérvios detidos em protestos contra os E.U.A
No dia 20 de Maio, por ocasião da visita do vice-presidente dos Estados Unidos da América Joseph Biden a Belgrado, um grupo de anarquistas, entre os quais a ASI (Iniciativa Anarco-Sindicalista, secção sérvia da AIT), organizou um protesto “ilegal” no centro da cidade. Durante a acção, Ratibor Trivunac, membro da ASI e actual secretário-geral da AIT, queimou uma bandeira estadunidense e leu um comunicado condenando o papel dos EUA na reprodução das relações capitalistas, nas guerras, na exploração e discriminação em todo o mundo.
Na sequência desta acção, Ratibor foi detido, presente a um juiz e condenado a 10 dias de prisão. No entanto, foi libertado no dia 22. Neste mesmo dia, após um protesto pela sua libertação no centro de Belgrado, em que foram distribuídas e queimadas bandeiras dos EUA, uma companheira anarquista que leu um comunicado em público foi também detida pela polícia, que agiu com violência contra a resistência dos manifestantes à detenção.
No dia 20 de Maio, por ocasião da visita do vice-presidente dos Estados Unidos da América Joseph Biden a Belgrado, um grupo de anarquistas, entre os quais a ASI (Iniciativa Anarco-Sindicalista, secção sérvia da AIT), organizou um protesto “ilegal” no centro da cidade. Durante a acção, Ratibor Trivunac, membro da ASI e actual secretário-geral da AIT, queimou uma bandeira estadunidense e leu um comunicado condenando o papel dos EUA na reprodução das relações capitalistas, nas guerras, na exploração e discriminação em todo o mundo.
Na sequência desta acção, Ratibor foi detido, presente a um juiz e condenado a 10 dias de prisão. No entanto, foi libertado no dia 22. Neste mesmo dia, após um protesto pela sua libertação no centro de Belgrado, em que foram distribuídas e queimadas bandeiras dos EUA, uma companheira anarquista que leu um comunicado em público foi também detida pela polícia, que agiu com violência contra a resistência dos manifestantes à detenção.
Ataque cobarde de neonazis contra antifascistas em BelgradoNa noite de 9 de Junho, 15 neonazis atacaram três antifascistas no centro de Belgrado, em frente do cinema “Odeon”. Uma companheira e dois companheiros - A.S., M.P. e R.T. - activos no movimento revolucionário e antifascista, caminhavam na direcção do edifício “Beogradjanka” quando foram atacados pelas costas. Cerca de 15 neonazis, incluindo alguns mascarados, atiraram um grande número de pedras que atingiram os nossos companheiros. Surpreendendo-os, os neonazis conseguiram roubar o saco à companheira A.S. e gazear o companheiro R.T., enquanto atacavam fisicamente dois transeuntes desconhecidos. Mas os nossos companheiros responderam adequadamente, utilizando tudo o que tinham à mão e, alertando a população sobre o que estava a acontecer, conseguiram afastar a escumalha fascista.
Este ataque é apenas mais um de uma longa lista de acções neonazis que têm tido lugar nos últimos dias em Belgrado. Por exemplo, no dia 1 de Junho, um grupo de jovens que regressava de um concerto foi vítima, muito provavelmente, do mesmo grupo. Tudo aponta para que estes ataques sejam resultado da cooperação entre a organização fascista “Obraz” e o grupo nazi ilegal “Nacionalni Stroj” que utiliza como capa legal a organização não-governamental “Novi srpski program” (Novo Programa Sérvio). Trata-se de uma campanha organizada, através da qual grupos fascistas estão a tentar intimidar os habitantes de Belgrado, atacando todos os que possam parecer antifascistas activos.
Não é aceitável que actualmente na Sérvia alguém pretenda seguir as ideias dos nazis da 2º Guerra Mundial. Não toleraremos ataques desta escumalha racista contra antifascistas, ciganos e todas as pessoas que pareçam “indesejáveis” aos seus olhos. Os gangues nazis não permanecerão impunes! De acordo com a nossa tradição libertária, responderemos com uma resistência organizada.
Estamos seguros de que a sociedade dará uma resposta clara a estas tentativas de intimidação e de tomada das ruas pelos neonazis. As ruas pertencem ao povo, não aos gangues fascistas!
Morte ao fascismo!
Iniciativa Antifascista de Belgrado
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segunda-feira, 25 de maio de 2009
30 de Maio - em Almada: ANARCO-SINDICALISMO EM DEBATE com a presença de companheiros da CNT-AIT
ANARCO-SINDICALISMO EM DEBATE
Com a presença de companheiros da CNT-AIT de Jaén (Andaluzia)
Partilha de experiências de membros da secção sindical da CNT (secção da AIT em Espanha) na fábrica de computadores Séneca de Jaén, cujos trabalhadores permanecem em greve há quase três meses em reivindicação de pagamentos em atraso e outros direitos.
30 de Maio – 16h – Centro de Cultura Libertária
Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto. - Cacilhas - Almada
Trabalho precário: uma nova forma de escravatura
A Conferência anual deste ano da Confederação Internacional das Empresas de Trabalho Temporário vai ter lugar em Lisboa, no Parque das Nações, de 27 a 29 Maio. Ora, o trabalho temporário é um dos exemplos de precariedade laboral que está a aumentar desmedidamente. Em Portugal, os trabalhadores precários são já cerca de milhão e meio, dos quais, quase um terço é “contratado” através de empresas de trabalho temporário. Se adicionarmos os desempregados, os sub-empregados (trabalho parcial), os que estão sujeitos a formas encapotadas de desemprego (“empregados” em acções de formação, com reformas antecipadas, vítimas de rescisões por “acordo mútuo”, etc) e ainda os chamados trabalhadores ilegais, a percentagem de trabalhadores precarizados em Portugal pode ser estimada entre 40 e 50% do total de trabalhadores, o que seguramente nos coloca nos dois ou três primeiros lugares da precariedade na União Europeia.
Os contratos temporários chegam a ser de apenas um mês ou de uma semana, porém, devido ao desemprego e para sobreviver, são muitas as pessoas que se submetem a estas condições, enfrentando um clima de grande instabilidade. Com este tipo de contratação as empresas têm maior facilidade em despedir os trabalhadores, nunca os efectivando e, desta forma, aumentando exponencialmente os seus lucros. Para além de viverem numa incerteza, os trabalhadores são ainda obrigados a aceitar baixos salários pois, na maior parte das vezes, os empregos temporários são conseguidos através de empresas que se dedicam exclusivamente à angariação de pessoal para cederem a outras entidades, apropriando-se de grande parte do ordenado. Só na região de Lisboa e Vale do Tejo, são já cerca de duzentas as empresas de trabalho temporário (tais como a Manpower, a Adecco, a Geserfor, a Select, a Multipessoal, etc.) que se dedicam a comercializar trabalhadores para outras empresas.
As entidades patronais e o Estado, que não é mais do que o defensor das hostes capitalistas, defendem o trabalho temporário e também uma maior flexibilização das leis laborais para, dizem eles, aumentar a “competitividade da economia portuguesa” e diminuir o desemprego. Isto só prova que o papel do Estado é o de beneficiar uma minoria de privilegiados, nem que para isso tenha de escravizar a classe trabalhadora.
Apelamos aos trabalhadores e trabalhadoras a que lutem contra o flagelo e a escravidão agravada que representam o trabalho temporário e a precariedade em geral, sem perder de vista a necessidade de unir as suas forças numa verdadeira luta contra o duplo jugo do Capital e do Estado. Comecemos a organizar-nos para a construção de uma nova sociedade, sem desigualdades sociais, porque a emancipação dos trabalhadores só poderá ser obra dos próprios trabalhadores.
Os contratos temporários chegam a ser de apenas um mês ou de uma semana, porém, devido ao desemprego e para sobreviver, são muitas as pessoas que se submetem a estas condições, enfrentando um clima de grande instabilidade. Com este tipo de contratação as empresas têm maior facilidade em despedir os trabalhadores, nunca os efectivando e, desta forma, aumentando exponencialmente os seus lucros. Para além de viverem numa incerteza, os trabalhadores são ainda obrigados a aceitar baixos salários pois, na maior parte das vezes, os empregos temporários são conseguidos através de empresas que se dedicam exclusivamente à angariação de pessoal para cederem a outras entidades, apropriando-se de grande parte do ordenado. Só na região de Lisboa e Vale do Tejo, são já cerca de duzentas as empresas de trabalho temporário (tais como a Manpower, a Adecco, a Geserfor, a Select, a Multipessoal, etc.) que se dedicam a comercializar trabalhadores para outras empresas.
As entidades patronais e o Estado, que não é mais do que o defensor das hostes capitalistas, defendem o trabalho temporário e também uma maior flexibilização das leis laborais para, dizem eles, aumentar a “competitividade da economia portuguesa” e diminuir o desemprego. Isto só prova que o papel do Estado é o de beneficiar uma minoria de privilegiados, nem que para isso tenha de escravizar a classe trabalhadora.
Apelamos aos trabalhadores e trabalhadoras a que lutem contra o flagelo e a escravidão agravada que representam o trabalho temporário e a precariedade em geral, sem perder de vista a necessidade de unir as suas forças numa verdadeira luta contra o duplo jugo do Capital e do Estado. Comecemos a organizar-nos para a construção de uma nova sociedade, sem desigualdades sociais, porque a emancipação dos trabalhadores só poderá ser obra dos próprios trabalhadores.
Contra o Estado e o Capital, Revolução Social!
Nem Estado nem patrão! Autogestão!
Nem Estado nem patrão! Autogestão!
13/Maio/2009
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domingo, 24 de maio de 2009
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Feira do Livro Anarquista - 22, 23 e 24 de Maio - Lisboa
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Faleceu o companheiro anarquista Edgar Rodrigues

Texto retirado de terraviva.weblog.pt:
FALECIMENTO DE EDGAR RODRIGUES EM 14 DE MAIO
Falecimento do investigador autodidacta e difusor da história social e do anarquismo brasileiro e português, Edgar Rodrigues.
Edgar Rodrigues, nasceu e viveu na Lavra, Matosinhos e morreu no Brasil no passado dia 14 de Maio devido a uma paragem cárdio-respiratória. Tinha 88 anos.
Autor de dezenas de obras e centenas de artigos sobre a história e as ideias anarquistas no Brasil e em Portugal, Edgar foi um importante compilador e difusor da história libertária nos dois países.
Em Portugal, as suas obras sobre a história do movimento operário e libertário, sobretudo as dos anos 80 ,"O despertar operário em Portugal-1834-1911", "Os anarquistas e os sindicatos-1911-1922", "A resistência anarco-sindicalista à ditadura-1922-39" e "A oposição libertária em Portugal-1939-1974", constituíram e constituem um marco importante na recuperação da memória libertária, constantemente branqueada pelas mitologias que transformavam artificialmente o PCP e/ou o PS, sobretudo nos anos da ditadura salazarista, como os principais intervenientes tanto no movimento operário como na resistência à ditadura.
Por todo esse acervo de informação sobre as raízes históricas da rebelião e da resistência operária, popular e libertária, OBRIGADO, Edgar Rodrigues.
J.P.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Uma crónica do 1º de Maio Anticapitalista e Antiautoritário em Lisboa
Uma crónica do Primeiro de Maio Antiautoritário e Anticapitalista em Lisboa, retirada da Rede Libertária:
A partir das 16 horas, várias dezenas de pessoas foram comparecendo no Jardim do Príncipe Real. No local era visível a presença ostensiva de polícias à civil, para além do constante assédio de jornalistas a fotografarem e filmarem, procurando, inutilmente, organizadores e representantes. As pessoas foram chegando e, face ao descrito, umas tapavam a cara, outras não, enquanto vários panfletos iam circulando e a conversa se punha em dia, tentando evitar os ouvidos teleguiados da democrática bufaria.
Pouco antes das 17 horas, havendo já umas cem pessoas no local, foram abertas várias faixas: “Contra a exploração, acção directa!”, “Os bancos roubam-nos a vida. Iremos ao seu assalto!”, “Capitalismo: nem a sua crise nem a sua prosperidade!”, “Consumo, logo existo. Penso, logo esbanjo”.
A manifestação partiu então, cortando o trânsito num sentido e dificultando-o no outro, pela rua D. Pedro V, descendo as ruas de S. Pedro de Alcântara e da Misericórdia. Gritaram-se, em crescendo, frases contra o capitalismo, o Estado, os media e a polícia: “União, acção, insurreição, contra toda a opressão!”, “Nem Estado, nem patrão. Autogestão!”, “A, Anti, Anti-Capitalista!”, “Diário de Notícias: Diário de Polícias”, “Alerta! Alerta! Surto de gripe policial”, “A liberdade está nos nossos corações! Nem prisões, nem bófia, nem pátrias nem patrões”, “Os bancos estão-nos a queimar. Queimemos os bancos”, entre outras.
Entretanto, mais algumas dezenas de pessoas se foram juntando à manifestação. Já na rua Garrett continuou-se a gritar bem alto: “A vossa repressão só nos dá mais paixão!”.
Até ao Chiado a única presença aberta da polícia, para além dos inúmeros agentes à paisana, foi a de um carro patrulha que seguiu a manifestação. A partir do Chiado, um grupo de polícias a pé e em motorizadas esforçou-se por controlar o percurso. Mas em todo o momento a manifestação seguiu o percurso pretendido pelos manifestantes.Na Rua do Carmo, local do violento ataque da PSP contra a manifestação antiautoritária contra o fascismo e o capitalismo de 25 de Abril de 2007, as gargantas esmeraram-se: “Aqui estamos outra vez, sem medo, sem lei”; “Um povo organizado vive sem Estado”. Algumas lojas fecharam as portas e colocaram seguranças à porta...
Continuou-se até ao Rossio, onde a manifestação contornou a festa da União de Sindicatos Independentes, contrastando as nossas palavras de ordem com a actuação de um rancho folclórico em pleno palco, por certo lembrança de velhos tempos em que se comemorava a “alegria no trabalho”...
A manifestação terminou na Praça da Figueira, após o que os manifestantes foram dispersando.
Para nós, o balanço da manifestação é globalmente positivo. Mais de cem pessoas apareceram e assinalaram um Primeiro de Maio combativo, anti-autoritário e anticapitalista, independente das restantes iniciativas que tiveram lugar na mesma tarde. Isto, apesar das tentativas levadas a cabo pela polícia para, através de uma campanha de intimidação e desinformação por meio de artigos publicados na imprensa, isolar e assustar as pessoas que se identificassem com a convocatória e pudessem aparecer. Não deixa de ser positivo haver mais de cem pessoas que não se deixaram intimidar.
A vossa repressão só nos dá mais paixão!
anónim@s
Mais fotos em: http://1maioantiautoritarioeanticapitalista.blogspot.com/
terça-feira, 28 de abril de 2009
Boletim Anarco-Sindicalista nº 31 - Abril-Maio 2009

Boletim Anarco-Sindicalista nº31 (em PDF):
- versão para leitura (A4, 1,1 Mb)
- versão para impressão (A3, 3,2 Mb)
Alguns artigos neste número:
- 1º de Maio de 2009: “Lutar contra a crise”? Lutar contra o capitalismo!
- Continua, por todo o país, a vaga de encerramentos, despedimentos, suspensão de contratos de trabalho, falências e insolvências, em fábricas e empresas
- Porto: Iniciativa por um Movimento Popular de Desempregados e Precários
- Manifestação em Lisboa pelos direitos dos imigrantes
- Porto: mais condenações por “manifestação ilegal”
- Começou o julgamento dos “25 de Caxias”
- Grécia: Rumo a um movimento profundo?
- Argentina: Trabalhador@s da fábrica “Disco de Oro” demonstram que não precisam de patrões
1º DE MAIO DE 2009
“LUTAR CONTRA A CRISE”?
LUTAR CONTRA O CAPITALISMO!
A cada dia que passa, a pretexto da crise, mais e mais trabalhadores são atirados para o desemprego (e os que mantêm os seus postos de trabalho vêem a sua situação piorar), com falências e insolvências, muitas delas fraudulentas, de inúmeras empresas, com cortes nos tempos de trabalho e nos salários, suspensões ou “acordos mútuos” de rescisão dos contratos de trabalho, reformas antecipadas “voluntárias” e outros estratagemas baseados nalguma cláusula prevista no Código do Trabalho.
Perante isto, qual tem sido a reacção?
Exceptuando alguns casos em que os trabalhadores recorreram à arma da greve (com ou sem ocupação dos locais de trabalho), ou em que montaram piquetes de vigilância para impedirem a saída de equipamento das empresas, têm delegado a solução dos seus problemas nas negociações que sindicatos e comissões de trabalhadores conduzem com os patrões e esperado que ministros ou autarcas encontrem soluções para a sua situação.
Além disso, têm tomado uma posição defensiva, na crença que, deixando despedir uma parte dos trabalhadores (por exemplo, e para começar, os precários ou os “ilegais”, justamente os que já estão em pior situação) poderão salvaguardar uma parte dos postos de trabalho; ou ainda, aceitando diminuições dos salários, seja através de redução do horário de trabalho com promessas de recuperação no futuro, seja por transformação das horas extra em horas normais, seja por supressão ou redução de vários tipos de subsídios e prémios de produção não incluídos no salário base.
Quanto a nós, anarco-sindicalistas, NADA pode substituir a acção dos próprios trabalhadores na defesa dos seus interesses, auto-organizando-se para manter e melhorar as suas condições de vida, sem delegar em ninguém a capacidade de decidir aquilo que lhes diz respeito. De facto, a existência de “representantes” permanentes dos trabalhadores faz com que, pouco a pouco, se transformem em “especialistas” e profissionais da luta sindical e adquiram pequenos e grandes privilégios, imediatamente “concedidos” pelos patrões ou consignados nas leis laborais, isto é, deixem de ser trabalhadores como os demais e passem, progressivamente, a defender a sua própria existência e os seus próprios interesses enquanto casta privilegiada, chegando, nalguns casos extremos, a praticamente limitar-se à tarefa de “explicar” aos outros trabalhadores os porquês e os porque nãos das decisões das administrações.
Consideramos, também, a SOLIDARIEDADE uma arma essencial da luta dos trabalhadores, que não podem deixar-se dividir em “fatias” que serão inevitavelmente derrotadas, uma após outra, como se tem visto em tantas empresas e fábricas, e não abdicamos das GREVES DE SOLIDARIEDADE entre diferentes empresas, fábricas, sectores produtivos ou mesmo regiões.
Porém, não podemos iludir-nos quanto à própria natureza do sistema capitalista: ele funciona na base do lucro e da acumulação do capital, baseados no roubo do produto do nosso trabalho, que vai, em seguida, encher os bolsos a capitalistas e financeiros pelo mundo fora, através da especulação bolsista. Foi, aliás, isso o que conduziu à presente crise dos mercados financeiros, porque um esquema de “enriquecimento” contínuo, no qual a “riqueza” cotada em bolsa parecia aumentar indefinidamente à custa de si própria, não poderia durar eternamente – sendo totalmente parasitário, baseado que estava na economia real, na produção real de riqueza, quando esta atingiu o limite esse esquema afundou-se.
Mas os capitalistas e a banca sabiam perfeitamente que isso ia acontecer. Como os Estados e os Governos se apressam, agora, a “socorrê-los”, isto é, a alimentá-los com o dinheiro dos nossos impostos, a crise é mesmo só para nós. É isso que temos que recusar, temos de lutar pela nossa dignidade e pelas nossas condições de vida, bem como da população em geral, mas cientes de que a nossa emancipação da opressão e da exploração a que o Estado e o Capital nos submetem só será plena quando o sistema capitalista e o Estado que o defende e promove forem destruídos e substituídos por um meio social baseado na livre associação dos indivíduos livres e na solidariedade, que promova a igualdade social e no qual não haja lugar para exploradores e explorados, governantes e governados, em suma, sem parasitas nem privilegiados de espécie alguma.
NÃO AOS DESPEDIMENTOS!
CONTRA OS ENCERRAMENTOS DE EMPRESAS E FÁBRICAS, AUTOGESTÃO!
PREPAREMO-NOS PARA UMA GREVE GERAL ACTIVA, COM OCUPAÇÃO DOS LOCAIS DE TRABALHO!
APROVEITEMOS O 1º DE MAIO, NÃO PARA FESTEJARMOS O TRABALHO ASSALARIADO, ISTO É, ESCRAVIZANTE, MAS PARA NOS MANIFESTARMOS CONTRA O CAPITALISMO E O SEU CÃO DE GUARDA, O ESTADO!
LUTAR CONTRA O CAPITALISMO!
A cada dia que passa, a pretexto da crise, mais e mais trabalhadores são atirados para o desemprego (e os que mantêm os seus postos de trabalho vêem a sua situação piorar), com falências e insolvências, muitas delas fraudulentas, de inúmeras empresas, com cortes nos tempos de trabalho e nos salários, suspensões ou “acordos mútuos” de rescisão dos contratos de trabalho, reformas antecipadas “voluntárias” e outros estratagemas baseados nalguma cláusula prevista no Código do Trabalho.
Perante isto, qual tem sido a reacção?
Exceptuando alguns casos em que os trabalhadores recorreram à arma da greve (com ou sem ocupação dos locais de trabalho), ou em que montaram piquetes de vigilância para impedirem a saída de equipamento das empresas, têm delegado a solução dos seus problemas nas negociações que sindicatos e comissões de trabalhadores conduzem com os patrões e esperado que ministros ou autarcas encontrem soluções para a sua situação.
Além disso, têm tomado uma posição defensiva, na crença que, deixando despedir uma parte dos trabalhadores (por exemplo, e para começar, os precários ou os “ilegais”, justamente os que já estão em pior situação) poderão salvaguardar uma parte dos postos de trabalho; ou ainda, aceitando diminuições dos salários, seja através de redução do horário de trabalho com promessas de recuperação no futuro, seja por transformação das horas extra em horas normais, seja por supressão ou redução de vários tipos de subsídios e prémios de produção não incluídos no salário base.
Quanto a nós, anarco-sindicalistas, NADA pode substituir a acção dos próprios trabalhadores na defesa dos seus interesses, auto-organizando-se para manter e melhorar as suas condições de vida, sem delegar em ninguém a capacidade de decidir aquilo que lhes diz respeito. De facto, a existência de “representantes” permanentes dos trabalhadores faz com que, pouco a pouco, se transformem em “especialistas” e profissionais da luta sindical e adquiram pequenos e grandes privilégios, imediatamente “concedidos” pelos patrões ou consignados nas leis laborais, isto é, deixem de ser trabalhadores como os demais e passem, progressivamente, a defender a sua própria existência e os seus próprios interesses enquanto casta privilegiada, chegando, nalguns casos extremos, a praticamente limitar-se à tarefa de “explicar” aos outros trabalhadores os porquês e os porque nãos das decisões das administrações.
Consideramos, também, a SOLIDARIEDADE uma arma essencial da luta dos trabalhadores, que não podem deixar-se dividir em “fatias” que serão inevitavelmente derrotadas, uma após outra, como se tem visto em tantas empresas e fábricas, e não abdicamos das GREVES DE SOLIDARIEDADE entre diferentes empresas, fábricas, sectores produtivos ou mesmo regiões.
Porém, não podemos iludir-nos quanto à própria natureza do sistema capitalista: ele funciona na base do lucro e da acumulação do capital, baseados no roubo do produto do nosso trabalho, que vai, em seguida, encher os bolsos a capitalistas e financeiros pelo mundo fora, através da especulação bolsista. Foi, aliás, isso o que conduziu à presente crise dos mercados financeiros, porque um esquema de “enriquecimento” contínuo, no qual a “riqueza” cotada em bolsa parecia aumentar indefinidamente à custa de si própria, não poderia durar eternamente – sendo totalmente parasitário, baseado que estava na economia real, na produção real de riqueza, quando esta atingiu o limite esse esquema afundou-se.
Mas os capitalistas e a banca sabiam perfeitamente que isso ia acontecer. Como os Estados e os Governos se apressam, agora, a “socorrê-los”, isto é, a alimentá-los com o dinheiro dos nossos impostos, a crise é mesmo só para nós. É isso que temos que recusar, temos de lutar pela nossa dignidade e pelas nossas condições de vida, bem como da população em geral, mas cientes de que a nossa emancipação da opressão e da exploração a que o Estado e o Capital nos submetem só será plena quando o sistema capitalista e o Estado que o defende e promove forem destruídos e substituídos por um meio social baseado na livre associação dos indivíduos livres e na solidariedade, que promova a igualdade social e no qual não haja lugar para exploradores e explorados, governantes e governados, em suma, sem parasitas nem privilegiados de espécie alguma.
NÃO AOS DESPEDIMENTOS!
CONTRA OS ENCERRAMENTOS DE EMPRESAS E FÁBRICAS, AUTOGESTÃO!
PREPAREMO-NOS PARA UMA GREVE GERAL ACTIVA, COM OCUPAÇÃO DOS LOCAIS DE TRABALHO!
APROVEITEMOS O 1º DE MAIO, NÃO PARA FESTEJARMOS O TRABALHO ASSALARIADO, ISTO É, ESCRAVIZANTE, MAS PARA NOS MANIFESTARMOS CONTRA O CAPITALISMO E O SEU CÃO DE GUARDA, O ESTADO!
Associação Internacional d@s Trabalhador@s -Secção Portuguesa
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domingo, 26 de abril de 2009
1º de Maio Anticapitalista e Anti-autoritário

Manifestação
Jardim Príncipe Real – Lisboa – 16 h
O 1º de Maio evoca aqueles que morreram na luta contra o capital. Desta forma, nunca poderá ser uma celebração. Por outro lado, em circunstância alguma se deverá homenagear uma das suas formas de escravatura: o trabalho ou o estatuto de trabalhador nos moldes de uma sociedade capitalista e autoritária.
A nossa luta é directa e global, contra todxs xs que nos exploram e oprimem, contra o patrão no nosso local de trabalho, contra o bófia no nosso bairro, contra a lavagem cerebral na nossa escola, contra as mercadorias com que nos iludem e escravizam, contra os tribunais e as prisões imprescindíveis para manter a propriedade e a ordem social.
Não nos revemos no simulacro de luta praticado pelxs esquerdistas, ancoradxs nos seus partidos, sindicatos e movimentos supostamente autónomos. Estes apenas aspiram a conquistar um andar de luxo no edifício fundado sobre a opressão e a exploração, contribuindo para dar novo rosto à miséria que nos é imposta.
Recusamos qualquer tentativa de renovação do capitalismo, engendrada nas cimeiras dos poderosos ou na oposição cínica posta em cena pelos fóruns dos seus falsos críticos. Não tenhamos ilusões. Não existe capitalismo “honesto”, “humano” ou “verde”. A “crise” com que nos alimentam até à náusea não é nenhuma novidade. A precaridade não é só um fenómeno da actualidade, existe desde que a exploração das nossas vidas se tornou necessária à sobrevivência deste sistema hierárquico e mercantil.
Porque queremos um mundo sem amos nem escravos, apelamos à resistência e ao ataque anticapitalista e anti-autoritário. E saímos à rua.
Jardim Príncipe Real – Lisboa – 16 h
O 1º de Maio evoca aqueles que morreram na luta contra o capital. Desta forma, nunca poderá ser uma celebração. Por outro lado, em circunstância alguma se deverá homenagear uma das suas formas de escravatura: o trabalho ou o estatuto de trabalhador nos moldes de uma sociedade capitalista e autoritária.
A nossa luta é directa e global, contra todxs xs que nos exploram e oprimem, contra o patrão no nosso local de trabalho, contra o bófia no nosso bairro, contra a lavagem cerebral na nossa escola, contra as mercadorias com que nos iludem e escravizam, contra os tribunais e as prisões imprescindíveis para manter a propriedade e a ordem social.
Não nos revemos no simulacro de luta praticado pelxs esquerdistas, ancoradxs nos seus partidos, sindicatos e movimentos supostamente autónomos. Estes apenas aspiram a conquistar um andar de luxo no edifício fundado sobre a opressão e a exploração, contribuindo para dar novo rosto à miséria que nos é imposta.
Recusamos qualquer tentativa de renovação do capitalismo, engendrada nas cimeiras dos poderosos ou na oposição cínica posta em cena pelos fóruns dos seus falsos críticos. Não tenhamos ilusões. Não existe capitalismo “honesto”, “humano” ou “verde”. A “crise” com que nos alimentam até à náusea não é nenhuma novidade. A precaridade não é só um fenómeno da actualidade, existe desde que a exploração das nossas vidas se tornou necessária à sobrevivência deste sistema hierárquico e mercantil.
Porque queremos um mundo sem amos nem escravos, apelamos à resistência e ao ataque anticapitalista e anti-autoritário. E saímos à rua.
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quarta-feira, 25 de março de 2009
Solidariedade com os trabalhadores da fábrica em autogestão "Disco de Oro" (Argentina)

Jantar de solidariedade com os trabalhadores da fábrica em autogestão "Disco de Oro" de San Martín, Argentina
dia 28 de Março – 20 h
Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto – Cacilhas - Almada
http://culturalibertaria.blogspot.com/
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Artigo publicado no blog dos companheiros argentinos no dia 20 de Março passado:
“Trabalhadores da fábrica Disco de Oro demonstram que não precisam de patrões”
Há alguns dias, os companheiros portugueses deram este mesmo título a um artigo sobre a fábrica “Disco de Oro”.
De facto, graças à força dos operários e operárias da “Disco de Oro”, esta fábrica permanece ocupada pelos mesmos há mais de um mês. E em conflitos deste género, notavelmente, foi a que mais rapidamente começou a produzir.
Já começaram a trabalhar, de forma lenta mas empenhada. Graças às contribuições de trabalhadores de outras fábricas, aos vizinhos que foram os primeiros a comprar mercadoria, à solidariedade internacional dos trabalhadores, ao festival solidário realizado e à contribuição dos companheiros que vêm aguentando a ocupação.
No entanto, os trabalhadores não obtiveram nenhum dinheiro para si. Todo o dinheiro que chega vai directamente para um fundo de produção, que lhes permite não depender de nenhum assistencialismo estatal nem de “investidores” que os queiram voltar a explorar.
Alguns companheiros da F.O.R.A. estavam presentes quando um patrão de outra fábrica do mesmo ramo veio oferecer-lhes uma pretensa ajuda económica, com a promessa de fornecimento de toda a matéria-prima para a produção. Eram claras as suas intenções de apropriar-se da marca (e da fábrica) já que, reiteradamente, apontou o logótipo impresso na porta da fábrica dizendo “Isso sim, é o que importa”. Disse também “Se é por dinheiro, não há problema”, acrescentando que ninguém perderia o seu posto de trabalho e que todos receberiam salário.
Este homem, quando pensava que tinha “comprado” os operários com as suas promessas de dinheiro e bem-estar, ficou perplexo quando os próprios trabalhadores tornaram claro que na fábrica as decisões são tomadas pelos operários e que não querem mais patrões: “A fábrica e a marca são dos trabalhadores e de mais ninguém”.
A coragem destes homens e mulheres é enorme. Estão em luta, não só pelo seu posto de trabalho, como também para demonstrar que o patrão não é mais do que um parasita que lhes suga o sangue, porque eles, entre iguais, conseguem fazer funcionar a fábrica sem ter nenhum burguês à frente. Muitos deles, sem outra saída, estão dispostos a deixar a sua vida defendendo esta luta, que se torna quase impossível em várias ocasiões. Mas com a solidariedade que eles recebem, a sua vitória é possível.
Porque a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores e de nenhum Estado ou vanguarda.
Mariano
Sociedade de Resistência de San Martín - F.O.R.A.
http://socderesistenciasm.blogspot.com/
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quinta-feira, 12 de março de 2009
Argentina: Trabalhador@s da fábrica “Disco de Oro” demonstram que não precisam de patrões
Os fundos angariados devem ser transferidos para a seguinte conta:
Nº 5004098 Banco Provincia de Buenos Aires, em nome de Juan Marcelo Pereña
Para mais informação sobre o conflito na Disco de Oro podem visitar o blog da SROV de San Martin:
http://www.socderesistenciasm.blogspot.com/
Carta d@s noss@s companheir@s da FORA-AIT:
Companheiros,
Somos a Sociedade de Resistência de Ofícios Vários de San Martín, filiada na FORA-AIT. Estamos a acompanhar, desde há um mês, a luta dos trabalhadores da Disco de Oro, uma fábrica de massa para empadas e tartes.
O dono da fábrica deixou os trabalhadores na rua, após o que eles ocuparam a fábrica e agora pretendem começar a produzir para poderem comer, uma vez que o patrão não lhes paga há seis meses. Eles organizam-se numa assembleia horizontal e tomam assim as decisões, sem autoridade. A nossa Sociedade de Resistência está activa na luta desde o primeiro momento junto dos trabalhadores.
É por isso que vos escrevemos a pedir a vossa solidariedade económica, para ajudá-los a começar a produzir como cooperativa de trabalho sem patrão, pois foi a sua decisão e necessitam de comprar matérias-primas para a poderem pôr em prática. Há muitos casos de trabalhadores com mais de 40 anos de casa que, se não puderem trabalhar na cooperativa, ficarão na rua e sem dinheiro para as suas famílias.
Além disto, houve ameaças dos donos. Por isso, quanto mais depressa se conseguir produzir, mais rápida será a recuperação da fábrica por parte dos seus operários.
Qualquer contribuição, por mínima que possa parecer, é muito importante para os trabalhadores.
Os trabalhadores da Disco de Oro precisam da nossa solidariedade económica. Como anarquistas, e como trabalhadores, devemos dá-la.
Um abraço fraternal,
Sociedade de Resistência de Ofícios Vários de San Martín – FORA-AIT
Operários e operárias da fábrica Disco de Oro em luta
Em San Andrés (San Martín), os trabalhadores e trabalhadoras da fábrica de massa para empadas Disco de Oro, após conseguirem parar o esvaziamento da fábrica que os patrões tentaram levar a cabo, decidiram no dia 2 de Fevereiro tomar a fábrica e lutar pelo seu local de trabalho.
Guillermo Ferron, enquanto proprietário da empresa (assim como de negócios escuros e patifarias por todo o lado), e Sergio Godoy del Castillo, enquanto testa-de-ferro e patrão, são os responsáveis que conduziram a fábrica ao encerramento e os operários ao desespero. Começaram a não pagar salários, férias, subsídios e outros pagamentos, há cinco ou seis meses. Pagavam quantias miseráveis aos trabalhadores para mantê-los “tranquilos” ao mesmo tempo que iam reduzindo a produção e a qualidade do produto. Por último, mandaram os trabalhadores para casa, com a desculpa de que a matéria-prima escasseava e de que realizariam reparações nas máquinas para melhorar a produção. Muito pelo contrário, aproveitaram para tentar esvaziar a empresa. Há que somar ainda a isto dois operários acidentados, a meio do ano passado, que não receberam um peso por parte da segurança social, porque o proprietário não pagava as contribuições. É por isto também que, neste momento, há operários e suas famílias que não podem receber cuidados médicos.
Ainda assim, são mais de dez as famílias que, neste momento, lutam por recuperar aquele que é, em muitos casos, o seu único sustento económico, e o trabalho de operári@s que chegam a ter 48 anos de casa. Passam dia e noite a guardar os seus meios de produção, acompanhados por vizinh@s e outros trabalhador@s que se solidarizaram com esta luta. Colocaram em marcha, de acordo com o que foram discutindo nas suas assembleias, a formação de uma cooperativa de trabalho para recomeçar a produção. A raiva que sentiram quando o patronato tentou roubar-lhes o que sempre lhes pertenceu (a sua produção), transformou-se hoje na resistência, na auto-organização e na luta para demonstrar que o trabalhador é capaz de se autogerir sem necessidade de nenhuma sanguessuga que fique com o fruto do seu trabalho, enquanto o olha das alturas com as mão nos bolsos.
Os companheiros da FORA estão aqui para dar-lhes apoio e contribuir enquanto trabalhador@s com a nossa solidariedade activa, sem interesses económicos ou políticos.
Sociedade de Resistência de Ofícios Vários de San Martín
socderesistenciasm@gmail.com
http://www.socderesistenciasm.blogspot.com/
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