segunda-feira, 18 de maio de 2009

Faleceu o companheiro anarquista Edgar Rodrigues



Texto retirado de terraviva.weblog.pt:



FALECIMENTO DE EDGAR RODRIGUES EM 14 DE MAIO

Falecimento do investigador autodidacta e difusor da história social e do anarquismo brasileiro e português, Edgar Rodrigues.


Edgar Rodrigues, nasceu e viveu na Lavra, Matosinhos e morreu no Brasil no passado dia 14 de Maio devido a uma paragem cárdio-respiratória. Tinha 88 anos.

Autor de dezenas de obras e centenas de artigos sobre a história e as ideias anarquistas no Brasil e em Portugal, Edgar foi um importante compilador e difusor da história libertária nos dois países.

Em Portugal, as suas obras sobre a história do movimento operário e libertário, sobretudo as dos anos 80 ,"O despertar operário em Portugal-1834-1911", "Os anarquistas e os sindicatos-1911-1922", "A resistência anarco-sindicalista à ditadura-1922-39" e "A oposição libertária em Portugal-1939-1974", constituíram e constituem um marco importante na recuperação da memória libertária, constantemente branqueada pelas mitologias que transformavam artificialmente o PCP e/ou o PS, sobretudo nos anos da ditadura salazarista, como os principais intervenientes tanto no movimento operário como na resistência à ditadura.

Por todo esse acervo de informação sobre as raízes históricas da rebelião e da resistência operária, popular e libertária, OBRIGADO, Edgar Rodrigues.

J.P.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Uma crónica do 1º de Maio Anticapitalista e Antiautoritário em Lisboa

Uma crónica do Primeiro de Maio Antiautoritário e Anticapitalista em Lisboa, retirada da Rede Libertária:

A partir das 16 horas, várias dezenas de pessoas foram comparecendo no Jardim do Príncipe Real. No local era visível a presença ostensiva de polícias à civil, para além do constante assédio de jornalistas a fotografarem e filmarem, procurando, inutilmente, organizadores e representantes. As pessoas foram chegando e, face ao descrito, umas tapavam a cara, outras não, enquanto vários panfletos iam circulando e a conversa se punha em dia, tentando evitar os ouvidos teleguiados da democrática bufaria.

Pouco antes das 17 horas, havendo já umas cem pessoas no local, foram abertas várias faixas: “Contra a exploração, acção directa!”, “Os bancos roubam-nos a vida. Iremos ao seu assalto!”, “Capitalismo: nem a sua crise nem a sua prosperidade!”, “Consumo, logo existo. Penso, logo esbanjo”.

A manifestação partiu então, cortando o trânsito num sentido e dificultando-o no outro, pela rua D. Pedro V, descendo as ruas de S. Pedro de Alcântara e da Misericórdia. Gritaram-se, em crescendo, frases contra o capitalismo, o Estado, os media e a polícia: “União, acção, insurreição, contra toda a opressão!”, “Nem Estado, nem patrão. Autogestão!”, “A, Anti, Anti-Capitalista!”, “Diário de Notícias: Diário de Polícias”, “Alerta! Alerta! Surto de gripe policial”, “A liberdade está nos nossos corações! Nem prisões, nem bófia, nem pátrias nem patrões”, “Os bancos estão-nos a queimar. Queimemos os bancos”, entre outras.

Entretanto, mais algumas dezenas de pessoas se foram juntando à manifestação. Já na rua Garrett continuou-se a gritar bem alto: “A vossa repressão só nos dá mais paixão!”.

Até ao Chiado a única presença aberta da polícia, para além dos inúmeros agentes à paisana, foi a de um carro patrulha que seguiu a manifestação. A partir do Chiado, um grupo de polícias a pé e em motorizadas esforçou-se por controlar o percurso. Mas em todo o momento a manifestação seguiu o percurso pretendido pelos manifestantes.

Na Rua do Carmo, local do violento ataque da PSP contra a manifestação antiautoritária contra o fascismo e o capitalismo de 25 de Abril de 2007, as gargantas esmeraram-se: “Aqui estamos outra vez, sem medo, sem lei”; “Um povo organizado vive sem Estado”. Algumas lojas fecharam as portas e colocaram seguranças à porta...

Continuou-se até ao Rossio, onde a manifestação contornou a festa da União de Sindicatos Independentes, contrastando as nossas palavras de ordem com a actuação de um rancho folclórico em pleno palco, por certo lembrança de velhos tempos em que se comemorava a “alegria no trabalho”...

A manifestação terminou na Praça da Figueira, após o que os manifestantes foram dispersando.

Para nós, o balanço da manifestação é globalmente positivo. Mais de cem pessoas apareceram e assinalaram um Primeiro de Maio combativo, anti-autoritário e anticapitalista, independente das restantes iniciativas que tiveram lugar na mesma tarde. Isto, apesar das tentativas levadas a cabo pela polícia para, através de uma campanha de intimidação e desinformação por meio de artigos publicados na imprensa, isolar e assustar as pessoas que se identificassem com a convocatória e pudessem aparecer. Não deixa de ser positivo haver mais de cem pessoas que não se deixaram intimidar.

A vossa repressão só nos dá mais paixão!

anónim@s





terça-feira, 28 de abril de 2009

Boletim Anarco-Sindicalista nº 31 - Abril-Maio 2009


Boletim Anarco-Sindicalista nº31 (em PDF):
- versão para leitura (A4, 1,1 Mb)
- versão para impressão (A3, 3,2 Mb)




Alguns artigos neste número:

- 1º de Maio de 2009: “Lutar contra a crise”? Lutar contra o capitalismo!
- Continua, por todo o país, a vaga de encerramentos, despedimentos, suspensão de contratos de trabalho, falências e insolvências, em fábricas e empresas
- Porto: Iniciativa por um Movimento Popular de Desempregados e Precários
- Manifestação em Lisboa pelos direitos dos imigrantes
- Porto: mais condenações por “manifestação ilegal”
- Começou o julgamento dos “25 de Caxias”
- Grécia: Rumo a um movimento profundo?
- Argentina: Trabalhador@s da fábrica “Disco de Oro” demonstram que não precisam de patrões

1º DE MAIO DE 2009

“LUTAR CONTRA A CRISE”?
LUTAR CONTRA O CAPITALISMO!

A cada dia que passa, a pretexto da crise, mais e mais trabalhadores são atirados para o desemprego (e os que mantêm os seus postos de trabalho vêem a sua situação piorar), com falências e insolvências, muitas delas fraudulentas, de inúmeras empresas, com cortes nos tempos de trabalho e nos salários, suspensões ou “acordos mútuos” de rescisão dos contratos de trabalho, reformas antecipadas “voluntárias” e outros estratagemas baseados nalguma cláusula prevista no Código do Trabalho.

Perante isto, qual tem sido a reacção?

Exceptuando alguns casos em que os trabalhadores recorreram à arma da greve (com ou sem ocupação dos locais de trabalho), ou em que montaram piquetes de vigilância para impedirem a saída de equipamento das empresas, têm delegado a solução dos seus problemas nas negociações que sindicatos e comissões de trabalhadores conduzem com os patrões e esperado que ministros ou autarcas encontrem soluções para a sua situação.

Além disso, têm tomado uma posição defensiva, na crença que, deixando despedir uma parte dos trabalhadores (por exemplo, e para começar, os precários ou os “ilegais”, justamente os que já estão em pior situação) poderão salvaguardar uma parte dos postos de trabalho; ou ainda, aceitando diminuições dos salários, seja através de redução do horário de trabalho com promessas de recuperação no futuro, seja por transformação das horas extra em horas normais, seja por supressão ou redução de vários tipos de subsídios e prémios de produção não incluídos no salário base.

Quanto a nós, anarco-sindicalistas, NADA pode substituir a acção dos próprios trabalhadores na defesa dos seus interesses, auto-organizando-se para manter e melhorar as suas condições de vida, sem delegar em ninguém a capacidade de decidir aquilo que lhes diz respeito. De facto, a existência de “representantes” permanentes dos trabalhadores faz com que, pouco a pouco, se transformem em “especialistas” e profissionais da luta sindical e adquiram pequenos e grandes privilégios, imediatamente “concedidos” pelos patrões ou consignados nas leis laborais, isto é, deixem de ser trabalhadores como os demais e passem, progressivamente, a defender a sua própria existência e os seus próprios interesses enquanto casta privilegiada, chegando, nalguns casos extremos, a praticamente limitar-se à tarefa de “explicar” aos outros trabalhadores os porquês e os porque nãos das decisões das administrações.

Consideramos, também, a SOLIDARIEDADE uma arma essencial da luta dos trabalhadores, que não podem deixar-se dividir em “fatias” que serão inevitavelmente derrotadas, uma após outra, como se tem visto em tantas empresas e fábricas, e não abdicamos das GREVES DE SOLIDARIEDADE entre diferentes empresas, fábricas, sectores produtivos ou mesmo regiões.

Porém, não podemos iludir-nos quanto à própria natureza do sistema capitalista: ele funciona na base do lucro e da acumulação do capital, baseados no roubo do produto do nosso trabalho, que vai, em seguida, encher os bolsos a capitalistas e financeiros pelo mundo fora, através da especulação bolsista. Foi, aliás, isso o que conduziu à presente crise dos mercados financeiros, porque um esquema de “enriquecimento” contínuo, no qual a “riqueza” cotada em bolsa parecia aumentar indefinidamente à custa de si própria, não poderia durar eternamente – sendo totalmente parasitário, baseado que estava na economia real, na produção real de riqueza, quando esta atingiu o limite esse esquema afundou-se.

Mas os capitalistas e a banca sabiam perfeitamente que isso ia acontecer. Como os Estados e os Governos se apressam, agora, a “socorrê-los”, isto é, a alimentá-los com o dinheiro dos nossos impostos, a crise é mesmo só para nós. É isso que temos que recusar, temos de lutar pela nossa dignidade e pelas nossas condições de vida, bem como da população em geral, mas cientes de que a nossa emancipação da opressão e da exploração a que o Estado e o Capital nos submetem só será plena quando o sistema capitalista e o Estado que o defende e promove forem destruídos e substituídos por um meio social baseado na livre associação dos indivíduos livres e na solidariedade, que promova a igualdade social e no qual não haja lugar para exploradores e explorados, governantes e governados, em suma, sem parasitas nem privilegiados de espécie alguma.

NÃO AOS DESPEDIMENTOS!

CONTRA OS ENCERRAMENTOS DE EMPRESAS E FÁBRICAS, AUTOGESTÃO!

PREPAREMO-NOS PARA UMA GREVE GERAL ACTIVA, COM OCUPAÇÃO DOS LOCAIS DE TRABALHO!

APROVEITEMOS O 1º DE MAIO, NÃO PARA FESTEJARMOS O TRABALHO ASSALARIADO, ISTO É, ESCRAVIZANTE, MAS PARA NOS MANIFESTARMOS CONTRA O CAPITALISMO E O SEU CÃO DE GUARDA, O ESTADO!

Associação Internacional d@s Trabalhador@s -Secção Portuguesa
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domingo, 26 de abril de 2009

1º de Maio Anticapitalista e Anti-autoritário


Manifestação
Jardim Príncipe Real – Lisboa – 16 h



O 1º de Maio evoca aqueles que morreram na luta contra o capital. Desta forma, nunca poderá ser uma celebração. Por outro lado, em circunstância alguma se deverá homenagear uma das suas formas de escravatura: o trabalho ou o estatuto de trabalhador nos moldes de uma sociedade capitalista e autoritária.

A nossa luta é directa e global, contra todxs xs que nos exploram e oprimem, contra o patrão no nosso local de trabalho, contra o bófia no nosso bairro, contra a lavagem cerebral na nossa escola, contra as mercadorias com que nos iludem e escravizam, contra os tribunais e as prisões imprescindíveis para manter a propriedade e a ordem social.

Não nos revemos no simulacro de luta praticado pelxs esquerdistas, ancoradxs nos seus partidos, sindicatos e movimentos supostamente autónomos. Estes apenas aspiram a conquistar um andar de luxo no edifício fundado sobre a opressão e a exploração, contribuindo para dar novo rosto à miséria que nos é imposta.

Recusamos qualquer tentativa de renovação do capitalismo, engendrada nas cimeiras dos poderosos ou na oposição cínica posta em cena pelos fóruns dos seus falsos críticos. Não tenhamos ilusões. Não existe capitalismo “honesto”, “humano” ou “verde”. A “crise” com que nos alimentam até à náusea não é nenhuma novidade. A precaridade não é só um fenómeno da actualidade, existe desde que a exploração das nossas vidas se tornou necessária à sobrevivência deste sistema hierárquico e mercantil.

Porque queremos um mundo sem amos nem escravos, apelamos à resistência e ao ataque anticapitalista e anti-autoritário. E saímos à rua.
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quarta-feira, 25 de março de 2009

Solidariedade com os trabalhadores da fábrica em autogestão "Disco de Oro" (Argentina)



Jantar de solidariedade com os trabalhadores da fábrica em autogestão "Disco de Oro" de San Martín, Argentina

dia 28 de Março – 20 h

no Centro de Cultura Libertária
Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto – Cacilhas - Almada
http://culturalibertaria.blogspot.com/

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Artigo publicado no blog dos companheiros argentinos no dia 20 de Março passado:

“Trabalhadores da fábrica Disco de Oro demonstram que não precisam de patrões”

Há alguns dias, os companheiros portugueses deram este mesmo título a um artigo sobre a fábrica “Disco de Oro”.
De facto, graças à força dos operários e operárias da “Disco de Oro”, esta fábrica permanece ocupada pelos mesmos há mais de um mês. E em conflitos deste género, notavelmente, foi a que mais rapidamente começou a produzir.
Já começaram a trabalhar, de forma lenta mas empenhada. Graças às contribuições de trabalhadores de outras fábricas, aos vizinhos que foram os primeiros a comprar mercadoria, à solidariedade internacional dos trabalhadores, ao festival solidário realizado e à contribuição dos companheiros que vêm aguentando a ocupação.
No entanto, os trabalhadores não obtiveram nenhum dinheiro para si. Todo o dinheiro que chega vai directamente para um fundo de produção, que lhes permite não depender de nenhum assistencialismo estatal nem de “investidores” que os queiram voltar a explorar.
Alguns companheiros da F.O.R.A. estavam presentes quando um patrão de outra fábrica do mesmo ramo veio oferecer-lhes uma pretensa ajuda económica, com a promessa de fornecimento de toda a matéria-prima para a produção. Eram claras as suas intenções de apropriar-se da marca (e da fábrica) já que, reiteradamente, apontou o logótipo impresso na porta da fábrica dizendo “Isso sim, é o que importa”. Disse também “Se é por dinheiro, não há problema”, acrescentando que ninguém perderia o seu posto de trabalho e que todos receberiam salário.
Este homem, quando pensava que tinha “comprado” os operários com as suas promessas de dinheiro e bem-estar, ficou perplexo quando os próprios trabalhadores tornaram claro que na fábrica as decisões são tomadas pelos operários e que não querem mais patrões: “A fábrica e a marca são dos trabalhadores e de mais ninguém”.
A coragem destes homens e mulheres é enorme. Estão em luta, não só pelo seu posto de trabalho, como também para demonstrar que o patrão não é mais do que um parasita que lhes suga o sangue, porque eles, entre iguais, conseguem fazer funcionar a fábrica sem ter nenhum burguês à frente. Muitos deles, sem outra saída, estão dispostos a deixar a sua vida defendendo esta luta, que se torna quase impossível em várias ocasiões. Mas com a solidariedade que eles recebem, a sua vitória é possível.
Porque a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores e de nenhum Estado ou vanguarda.

Mariano
Sociedade de Resistência de San Martín - F.O.R.A.
http://socderesistenciasm.blogspot.com/
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quinta-feira, 12 de março de 2009

Argentina: Trabalhador@s da fábrica “Disco de Oro” demonstram que não precisam de patrões

Dos noss@s companheir@s da FORA (Federación Obrera Regional Argentina, Secção Argentina da AIT), chegou-nos um apelo à solidariedade com @s trabalhador@s da fábrica Disco de Oro. Est@s, após terem sido enganad@s e abandonad@s pelos patrões, tentam recomeçar, em autogestão, a produção desta fábrica de massa para empadas e tartes, formando para tal uma cooperativa. As decisões respeitantes a esta luta têm sido tomadas em assembleias horizontais de trabalhador@s. Para conseguirem os seus objectivos, @s operári@s da Disco de Oro precisam de solidariedade económica para poderem comprar as matérias-primas necessárias.

Os fundos angariados devem ser transferidos para a seguinte conta:

Nº 5004098 Banco Provincia de Buenos Aires, em nome de Juan Marcelo Pereña

Para mais informação sobre o conflito na Disco de Oro podem visitar o blog da SROV de San Martin:
http://www.socderesistenciasm.blogspot.com/


Carta d@s noss@s companheir@s da FORA-AIT:

Companheiros,

Somos a Sociedade de Resistência de Ofícios Vários de San Martín, filiada na FORA-AIT. Estamos a acompanhar, desde há um mês, a luta dos trabalhadores da Disco de Oro, uma fábrica de massa para empadas e tartes.

O dono da fábrica deixou os trabalhadores na rua, após o que eles ocuparam a fábrica e agora pretendem começar a produzir para poderem comer, uma vez que o patrão não lhes paga há seis meses. Eles organizam-se numa assembleia horizontal e tomam assim as decisões, sem autoridade. A nossa Sociedade de Resistência está activa na luta desde o primeiro momento junto dos trabalhadores.

É por isso que vos escrevemos a pedir a vossa solidariedade económica, para ajudá-los a começar a produzir como cooperativa de trabalho sem patrão, pois foi a sua decisão e necessitam de comprar matérias-primas para a poderem pôr em prática. Há muitos casos de trabalhadores com mais de 40 anos de casa que, se não puderem trabalhar na cooperativa, ficarão na rua e sem dinheiro para as suas famílias.

Além disto, houve ameaças dos donos. Por isso, quanto mais depressa se conseguir produzir, mais rápida será a recuperação da fábrica por parte dos seus operários.
Qualquer contribuição, por mínima que possa parecer, é muito importante para os trabalhadores.

Os trabalhadores da Disco de Oro precisam da nossa solidariedade económica. Como anarquistas, e como trabalhadores, devemos dá-la.

Um abraço fraternal,

Sociedade de Resistência de Ofícios Vários de San Martín – FORA-AIT




Operários e operárias da fábrica Disco de Oro em luta

Em San Andrés (San Martín), os trabalhadores e trabalhadoras da fábrica de massa para empadas Disco de Oro, após conseguirem parar o esvaziamento da fábrica que os patrões tentaram levar a cabo, decidiram no dia 2 de Fevereiro tomar a fábrica e lutar pelo seu local de trabalho.

Guillermo Ferron, enquanto proprietário da empresa (assim como de negócios escuros e patifarias por todo o lado), e Sergio Godoy del Castillo, enquanto testa-de-ferro e patrão, são os responsáveis que conduziram a fábrica ao encerramento e os operários ao desespero. Começaram a não pagar salários, férias, subsídios e outros pagamentos, há cinco ou seis meses. Pagavam quantias miseráveis aos trabalhadores para mantê-los “tranquilos” ao mesmo tempo que iam reduzindo a produção e a qualidade do produto. Por último, mandaram os trabalhadores para casa, com a desculpa de que a matéria-prima escasseava e de que realizariam reparações nas máquinas para melhorar a produção. Muito pelo contrário, aproveitaram para tentar esvaziar a empresa. Há que somar ainda a isto dois operários acidentados, a meio do ano passado, que não receberam um peso por parte da segurança social, porque o proprietário não pagava as contribuições. É por isto também que, neste momento, há operários e suas famílias que não podem receber cuidados médicos.

Ainda assim, são mais de dez as famílias que, neste momento, lutam por recuperar aquele que é, em muitos casos, o seu único sustento económico, e o trabalho de operári@s que chegam a ter 48 anos de casa. Passam dia e noite a guardar os seus meios de produção, acompanhados por vizinh@s e outros trabalhador@s que se solidarizaram com esta luta. Colocaram em marcha, de acordo com o que foram discutindo nas suas assembleias, a formação de uma cooperativa de trabalho para recomeçar a produção. A raiva que sentiram quando o patronato tentou roubar-lhes o que sempre lhes pertenceu (a sua produção), transformou-se hoje na resistência, na auto-organização e na luta para demonstrar que o trabalhador é capaz de se autogerir sem necessidade de nenhuma sanguessuga que fique com o fruto do seu trabalho, enquanto o olha das alturas com as mão nos bolsos.

Os companheiros da FORA estão aqui para dar-lhes apoio e contribuir enquanto trabalhador@s com a nossa solidariedade activa, sem interesses económicos ou políticos.

Sociedade de Resistência de Ofícios Vários de San Martín
socderesistenciasm@gmail.com
http://www.socderesistenciasm.blogspot.com/



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Boletim Anarco-Sindicalista nº 30 - Fevereiro-Março 2009



Versão para net:
- Separata Solidariedade com a Revolta na Grécia (A4, 876 Kb)

Versão para impressão:
- Boletim Anarco-Sindicalista nº 30 (A3, 5 Mb)- Separata Solidariedade com a Revolta na Grécia (A3, 1,2 Mb)

Neste número do Boletim Anarco-Sindicalista:
- Lutas laborais e despedimentos em Portugal
- “Motim” de Caxias: Linchamento judicial 13 anos depois
- Concentração na Amadora contra a repressão policial, por Kuku e outras vítimas dos mercenários do Estado
- O mesmo de sempre: A “crise” é para os trabalhadores e as camadas mais pobres e marginalizadas da população
- A face escondida da “crise”
- Sócrates e os ricos
- Agitação social na Islândia
- RÚSSIA: Advogado e jornalista assassinados em Moscovo
- CHILE: Assassinato de um jovem anarquista na Comunidade Mapuche Temucuicui
- CNT-AIT convoca greve geral no município de Lebrija (Sevilha)
- 1934 - A revolta dos sindicatos livres contra o fascismo


Separata Solidariedade com a Revolta na Grécia: - Breve Cronologia
- A Solidariedade é uma Arma
- Nada será como antes, nunca mais
- Declaração da Assembleia de Ocupação da Sede da Confederação Geral dos Trabalhadores da Grécia (GSEE)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

“Motim” de Caxias: Linchamento judicial 13 anos depois


23 de Março de 1996: segundo as autoridades prisionais, o governo e os media, desencadeia-se um “motim” na prisão de Caxias. Mas em que consiste este suposto “motim”? Um grupo de presos do Reduto Norte de Caxias, submetidos a insuportáveis medidas de segurança, recusa entrar nas suas celas à noite em protesto contra a sua sobrelotação. Na sequência disto, 180 reclusos, amontoados num espaço reduzido, sem qualquer possibilidade de defesa, são espancados selvaticamente pelos guardas prisionais, seguindo ordens das autoridades prisionais e políticas. Pela madrugada fora, um movimento incessante de ambulâncias e carrinhas celulares verifica-se à porta da prisão. Os feridos são inúmeros, um preso fica cego de um olho devido ao disparo de uma bala de borracha. As feridas emocionais são tão ou ainda mais profundas.

O chamado “motim” de Caxias acontece na sequência de pelo menos dois anos de lutas dos presos, pela melhoria das suas condições de reclusão, por amnistias, por um pouco de dignidade. Greves ao trabalho, greves de fome, cartas e comunicados sucederam-se neste período.

O Director-Geral dos Serviços Prisionais, Celso Manata, e o governo de então, chefiado por António Guterres, fizeram ouvidos moucos às queixas dos presos sobre a situação degradante das prisões, confirmadas pelos relatórios de organizações internacionais, como a Amnistia Internacional, o Observatório Internacional sobre as Prisões ou até mesmo a União Europeia: celas sobrelotadas, maus-tratos aos presos, ausência de condições de higiene e privacidade mínimas, alimentação péssima, assistência médica extremamente deficiente, toxicodependência, alastramento de doenças como SIDA, hepatite ou tuberculose, exploração do trabalho prisional, além da corrupção generalizada envolvendo autoridades e funcionários prisionais. Lembremos que a denúncia destes factos levou inclusive a que o Director dos Serviços Prisionais que antecedeu Celso Manata, o juiz Marques Ferreira, fosse ameaçado de morte pelas máfias instaladas nas prisões.

O factor que fez eclodir novo movimento de luta dos presos, no início de 1996, foi o anúncio de uma amnistia aos presos do processo FUP/FP25 e a primeira negação de uma amnistia presidencial aos outros presos desde o 25 de Abril de 1974. Numa altura em que o movimento dos presos estava em crescendo, por reivindicações que consistiam, na verdade, em que o Estado cumprisse as suas próprias leis, consagradas na Reforma Prisional, esse mesmo Estado respondeu com uma punição exemplar contra os 180 presos do Reduto Norte de Caxias, carregando sobre eles à bastonada, a tiros de bala de borracha e com gás lacrimogéneo.

O processo dos “25 de Caxias” começou desde logo com a acusação do ministro da justiça Vera Jardim contra os “cabecilhas” do movimento. Agora, 13 anos depois, este processo é recuperado pela justiça burguesa, prevendo-se o julgamento para Março de 2009. Punidos fisicamente em Março de 2006, arriscam-se a serem linchados legalmente em 2009, apenas por terem lutado pela sua dignidade.

Em solidariedade foi editada uma publicação gratuita intitulada Presos em Luta: Agitações nas Prisões Portuguesas entre 1994 e 1996, que contém o historial da luta dos presos nestes dois anos, completado com recortes de imprensa e depoimentos vários, e apela à solidariedade com os processados pelo Estado.

Existe um blogue onde se pode ler os textos e fazer o download da publicação em PDF: http://www.presosemluta.tk/

domingo, 22 de fevereiro de 2009

CNT-AIT convoca greve geral no município de Lebrija (Sevilha)

Primeira greve motivada pela crise em Espanha teve adesão de 90%

No dia 18 de Fevereiro, a CNT convocou no município de Lebrija (Sevilha), uma greve geral a favor da criação de uma bolsa de trabalho sob controlo popular, que administre a distribuição dos trabalhos da autarquia, de forma a evitar os clientelismos do PSOE e da UGT e a garantir que existe uma repartição justa do trabalho entre as pessoas que mais precisam, nesta povoação assolada pelo desemprego.

A luta teve início ainda o ano passado, neste município de 26 mil habitantes, após queixas ao sindicato por companheiros que se viam preteridos dos concursos para empregos do Ayuntamiento (Câmara Municipal), por não pertencerem às clientelas do PSOE, partido que governa a autarquia em conjunto com a Izquierda Unida.

O sindicato discutiu o problema e propôs a criação de uma Bolsa de Trabalho sob controlo popular, pela qual teriam de passar as contratações feitas pelo Ayuntamiento, para assegurar uma boa repartição e rotatividade do trabalho, especialmente entre as pessoas com mais dificuldades económicas.

Em 31 de Janeiro, a CNT apresentou a sua proposta numa assembleia convocada na Casa da Cultura do Povo, perante uma assistência de 250 pessoas. Após a assembleia as pessoas deslocaram-se em manifestação até ao Ayuntamiento. No dia seguinte, repetiu-se o mesmo, mas já com 300 pessoas. No dia 6 de Fevereiro manifestaram-se 500 pessoas e no dia 7 de Fevereiro 2500 pessoas!

Face ao não atendimento das reivindicações, a CNT-AIT e o Comité de Cidadãos de Lebrija convocaram uma greve geral no município de Lebrija para o dia 18 de Fevereiro, reivindicando também às empresas o fim dos despedimentos injustificados e arbritários de trabalhadores, assim como a repartição do trabalho, através da eliminação das horas extras e da contratação de trabalhadores.

A greve teve uma adesão que se estima em 90%. A totalidade do pessoal dos supermercados Dia, Lidl, Eroski, Mercadona e Carmela, assim como os padeiros e os bancários aderiram à greve a 100%. O mesmo aconteceu no sector de serviços e construção, nos bares e restaurantes e nas principais obras do município. Os piquetes de greve apenas encontraram em funcionamento uma gasolineira, duas cafetarias e o mercado de abastecimentos composto por umas oito famílias que vendem frutas.

Esta foi a primeira greve realizada em Espanha devido à crise e pela repartição justa do trabalho.
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

18 de Janeiro de 1934 - Greve Geral Insurreccional contra o Fascismo

18 de Janeiro de 1934 - 75 anos
- Comemoração e Debate


dia 18 de Janeiro de 2009 (domingo)

13 horas – Convívio e petiscos
15 horas – Debate


no Centro de Cultura Libertária
Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto. – Cacilhas – Almada

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1934 - A revolta dos sindicatos livres contra o fascismo

18 de Janeiro de 1934 foi a data escolhida pelo movimento operário livre para a greve geral insurreccional destinada a impedir a construção do regime fascista de Salazar. Este movimento foi impulsionado sobretudo por militantes anarquistas e anarco-sindicalistas, organizados na Confederação Geral do Trabalho, e integrado por muitos outros operários de diversas tendências.

O objectivo desta revolta foi derrubar o regime de Oliveira Salazar e impedir a fascização da sociedade portuguesa, impedindo a aplicação do Estatuto do Trabalho Nacional, com o qual Salazar pretendia acabar com os sindicatos livres e revolucionários, transformando-os em organismos submissos perfeitamente integrados na organização corporativa do Estado Novo.

A insurreição de 18 de Janeiro de 1934 levou a greves, múltiplas sabotagens e inclusive à famosa tomada da vila da Marinha Grande por operários. A revolta não pôde triunfar, mas significou o último grande acto de resistência do movimento anarco-sindicalista organizado. Um acto de dignidade pago com prisões, torturas e deportações de centenas de militantes.

Conhecer, discutir e comemorar esta data significativa da história das lutas emancipatórias em Portugal é prestar homenagem a todas essas pessoas que arriscaram a vida pela liberdade. Significa também que nos queremos reapropriar da nossa história e memória enquanto movimento libertário, recusando activamente a longa tradição de submissão e “brandos costumes” ensinada nos livros de história e que constitui a memória oficial do Estado.

Conhecer e discutir as lutas do passado significa então também lançar as bases para a teoria e para as práticas de agora, porque a longa noite do fascismo se estendeu muito para além do 25 de Abril de 1974, na cultura e nas instituições portuguesas, inclusive nas “contestatárias”, como os sindicatos actuais que continuam a prolongar o modelo corporativo dos sindicatos nacionais.

Por tudo isto, e o que mais quiserem trazer à discussão, contamos convosco no dia 18 de Janeiro.


Associação Internacional d@s Trabalhador@s – Secção Portuguesa
http://ait-sp.blogspot.com/


Conversa sobre a situação dos detidos de 11 de Novembro em França - 16 de Janeiro - 21h - Almada

No passado dia 11 de Novembro, depois duma operação policial com 150 polícias antiterroristas, 1 helicóptero, cães-polícias, e também dezenas de jornalistas, foram detidas vinte pessoas em quatro locais da França (Paris, Rouen, no Este, e numa pequena aldeia do centro chamada Tarnac, onde algumas delas moram numa quinta comunitária), tendo ficado 10 detidas para interrogatórios. Presentemente 9 pessoas estão a ser acusadas, sem provas, de “associação de malfeitores” e “terrorismo” por alegadas sabotagens nas linhas do T.G.V, permanecendo duas em prisão preventiva.
A questão de Tarnac não é um erro judicial. Não somente, pelo menos. É uma ilustração, a mais flagrante por ser a primeira, daquilo que se tornou a lei no momento do antiterrorismo. Quando o estado de excepção deixa de ser uma profecia para se tornar efectiva e visivelmente o regime em que vivemos. E claro que o facto de serem acusados de “terrorismo” faz parte de uma estratégia estatal para os isolar e os separar do resto da sociedade. Quem deseja apoiar pessoas que querem espalhar o terror? É, também, uma maneira de alimentar ainda mas o medo estrutural relativamente ao mundo do Capital e de aparecer como o único protector. “Não tenham medo dos terroristas (ou dos imigrantes, dos jovens, dos sem tecto, dos ladrões…), estamos aqui para vos proteger”, diz o Estado. Nos tempos actuais, quando a democracia já não faz sonhar muita gente, perante a ideia de que o principal objectivo da vida seja trabalhar e comprar mercadorias – o que já vem sendo questionado tanto na teoria como na prática – quando a crise já não é só económica mas também ecológica, ética, social – para usar o vocabulário da sociologia – e parece cada vez mas incontrolável, o Estado tem de apertar o controlo sobre pessoas à sua volta.
Por toda a França e em outros países, foram criados comités de apoio. Existe uma proposta do comité de apoio de Tarnac (www.soutien11novembre.org) no sentido de organizar durante dez dias, de 15 a 25 de Janeiro, o máximo de iniciativas, concertos, projecções, debates, com o objectivo de não deixar esta questão cair no esquecimento, para que sejam reavaliadas as acusações que pesam sobre os nossos companheiros e também para que sejam libertados os que se encontram presos. Isto permitirá igualmente anunciar e preparar uma grande manifestação nacional para dia 31 de Janeiro, em Paris.

Debate/conversa sobre a situação dos companheiros franceses acusados de terrorismo por alegadas sabotagens nas linhas do T.G.V.

16 Janeiro, 21h, no Centro de Cultura Libertária

Centro de Cultura Libertária
Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto. - Cacilhas - Almada

Actividades de solidariedade noutros locais:

15 Janeiro - 21h - Conversa informal na COSA, Setúbal
(Rua Latino Coelho, nº2 cosanossa@gmail.com)

21 Janeiro – 21h30 - Conversa na Livraria Gato Vadio, Porto
(Rua do rosário, 281 – Porto - http://gatovadiolivraria.blogspot.com/)
24 Janeiro – 13 h - Almoço/Conversa + 16H - Concerto na Casa Viva, Porto
(Praça Marquês Pombal 167 – Porto - http://www.casa-viva.blogspot.com/)


segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Mais um jovem negro e pobre assassinado pela polícia

(comunicado da Plataforma Gueto acerca do assassinato pela polícia de um jovem de 14 anos, Elson Sanches ‘Kuku’, na Amadora)

A plataforma Gueto não pode deixar de denunciar mais uma execução sumária, com pena de morte, dum jovem negro por parte da polícia, e um julgamento injusto feito no tribunal dos media, que condenou o nosso irmão e absolveu mais um assassino.

Uma perseguição policial do passado domingo, 4 de Janeiro às 21h, ditou a morte de Kuku, com apenas 14 anos.
Segundo a versão "oficial" de fontes policiais os agentes identificaram o carro furtado, onde seguiam 4 jovens, no bairro de Santa Filomena. Por não terem respeitado a ordem para parar, a polícia iniciou uma perseguição que só acabou no bairro da Quinta da Lage quando os jovens abandonaram o carro e continuaram a fuga a pé. Depois de terem disparado tiros para o ar, a polícia alega que Kuku, que foi o último a sair da viatura, apontou uma arma de calibre 6.35 a um agente, tendo este, em legítima defesa, disparado um tiro que o feriu mortalmente na cabeça. Outro irmão foi ainda atingido com uma bala na perna.

Ainda na sua versão oficial a polícia declara que o agente não atirou para a matar. Quem não quer matar não aponta uma arma à cabeça, portanto a intenção do agente era matar ou teria apontado a outra parte do corpo.

Na manhã seguinte os media iniciaram a sua propaganda, usando apenas as fontes policiais, para sujar a imagem do jovem e legitimar a acção do polícia, alegando que se tratava de um jovem referenciado por crimes violentos.
Com esta propaganda os media conseguiram transmitir a ideia de se tratar dum jovem violento que era uma ameaça para os agentes, e para a sociedade, bem como glorificar a polícia por mais uma "missão cumprida": assassinar um negro.

Como se não bastasse a idade de Kuku, 14 anos, para que este não pudesse ser considerado um criminoso violento, o mesmo foi referenciado como tal apenas por furtos, dos quais não resultou nenhuma condenação. Ainda que tal tivesse acontecido, em nenhum dos casos houve uso de violência. Tendo em conta aquilo os media têm propagandeado nos últimos meses como "criminalidade violenta" só prova que esta usa e abusa de tais critérios sem nenhum rigor para operar a sua propaganda racista e continuar a fomentar o medo dos imigrantes seus descendentes na opinião publica.

Segundo os jovens envolvidos na fuga, o carro em que seguiam já tinha sido furtado anteriormente, tendo estes, sabendo que estava abandonado, aproveitado o facto para nele se dirigirem ao bairro de Santa Filomena onde iam ver um jogo de futebol. Os mesmos disseram ainda que Kuku não trazia nenhuma arma consigo.
Tal como os restantes ocupantes do carro, vários amigos que estiveram com Kuku naquele dia, negam tê-lo visto com qualquer arma, e acrescentam ainda que nunca viram Kuku armado quer com faca, quer com pistola, e duvidam bastante que ele fosse capaz de apontar uma arma a outra pessoa e muito menos a um agente "Kuku era um puto... ainda que tivesse uma arma, jamais a apontaria a um bófia". Eles descrevem-no como "calado, tranquilo, talvez até um pouco tímido".

Estes afirmam ainda que Kuku estava marcado desde um episódio em que, logo após acordar, e tendo dormido em casa, foi abordado pela polícia na sua porta, alegadamente por ter sido visto a conduzir um carro roubado nessa madrugada. Indignado negou qualquer relacionamento com o que quer que fosse que tivesse ocorrido naquela madrugada e ao ser agredido e arrastado pelo chão Kuku resistiu à detenção apelando aos seus direitos. A sua resistência originou ainda mais agressividade da polícia. Kuku tentou resistir e só a intervenção da mãe e outros familiares demoveu os agentes de quaisquer que fossem as suas intenções.

Kuku foi julgado e executado pela polícia à semelhança de Angoi, Tony, Tete, Corvo, PTB, etc. Nos últimos meses vários irmãos foram perseguidos e agredidos nas ruas, nas carrinhas e dentro das esquadras. Este não foi um acidente, nem um acto isolado, foi o desfecho que já esperávamos. Destes assassinatos e agressões nunca resultou uma única condenação. Pelo contrário a polícia têm sido aplaudida pelo Ministro da Administração Interna e pela opinião pública manipulada, pela propaganda racista dos media. Resta uma conclusão: face a esta impunidade a polícia tem "luz verde" para matar jovens negros em Portugal. Já não acreditávamos que fosse feita qualquer justiça nos tribunais mas agora sabemos mais que isso.
Num país que nem aplica a pena de morte, até um "criminoso violento" teria direito a um julgamento antes de ser executada qualquer pena. Mas para nós negros, a pena de morte está em vigor e a "justiça" não é lenta, é veloz feita na hora pela polícia. O nosso julgamento é feito todos os dias na imprensa matinal e no noticiário das oito.
Apelamos à mobilização de tod@s os irm@s contra a violência policial, a propaganda racista e contra a opressão autoritária. Se a impunidade, o conformismo e o silêncio continuarem os assassinatos continuarão também.

Apelamos também ao apoio à realização dum funeral digno para Kuku na compra do Cd dos Mentis Afro, duma T-shirt do Kuku, ou através de donativo para o NIB 0010 0000 27703050 0022 0. Para mais info escrevam para o mail indicado em baixo.

Plataforma Gueto. Sem Justiça não haverá Paz.

Plataforma.gueto@gmail.com
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Boletim Anarco-Sindicalista nº 29 (Dezembro 08 - Janeiro 09)

O Boletim Anarco-Sindicalista nº 29 em PDF pode ser descarregado aqui:
- versão net (A4, 3 Mb)
- versão para impressão (A3, 3,1 Mb)
Alguns artigos neste número:
- Lisboa: mais de 1000 pessoas contra onda xenófoba e Pacto Sarkozy
- Pastelaria Lua de Mel fecha e PSP agride trabalhadores
- Quanto valem 25 Euros em polémicas?
- Os Professores em Luta
- Manter a Autonomia das Lutas no Ensino!
- “Autonomia das escolas”
- Programa Simplex: Despedimento de professores por SMS???
- Economia, a impunidade na continuidade
- Fim do Socialismo capitalista. A revolução de Outubro de 2008 do capitalismo.
- Repressão Estatal na Sérvia
- Solidariedade com os trabalhadores do Ikea de Brescia (Itália)
- Repressão contra sindicalistas no Bangladesh
- Espanha: Manifestações contra o Plano Bolonha e a privatização da educação
- Itália: Contestação às reformas educativas de Berlusconi
- Sistema judicial norte-americano persiste em assassinar Mumia Abu-Jamal
- Grécia: Greve de fome juntou 10 000 pres@s
- Solidariedade com os detidos de 11 de Novembro em França
- Porto: Julgamento de quatro activistas sociais por “difamação” do SEF
- Nova Ofensiva fascista contra o preso Amadeu Casellas e seus advogados